Libertos do Jugo Religioso - O pecado não procede da aparência exterior, mas do coração do ser humano

Obs: Todos os sublinhados, grifos em negrito nos textos bíblicos são meus.

Por: Josnei Borges dos Santos

Texto base: Gálatas 5:1

Foi para a liberdade que Cristo nos libertou. Portanto, permaneçam firmes e não se deixem submeter novamente a um jugo de escravidão.” - Gálatas 5:1 (Nova Versão Internacional).

 1. Devemos estar atentos contra as más interpretações bíblicas 

Precisamos sempre verificar se as doutrinas a nós apresentadas estão em concordância com o ensino histórico e apostólico.

As heresias nascem da distorção do sentido original dos textos bíblicos. A descontextualização abre portas para distorções teológicas, perversas e destrutivas.

Pedro adverte que nas cartas de Paulo há passagens bíblicas difíceis de entender que os indoutos torcem, como fazem com outras Escrituras, para a própria destruição deles.

“15 Considerai que a longanimidade do nosso Senhor é uma oportunidade para que possais receber a Salvação, assim como o nosso amado irmão Paulo também vos escreveu, de acordo com a sabedoria que Deus lhe concedeu.
16 Ele escreve do mesmo modo em todas as suas epístolas, discorrendo nelas sobre esses assuntos, nas quais existem trechos difíceis de entender, os quais são distorcidos pelos ignorantes e insensatos, como fazem também com as demais Escrituras para a própria destruição deles.” - 2 Pedro 3:15-16 (Bíblia King James Atualizada).

Quando um versículo ou trechos da Bíblia estiverem difíceis ou mais confusos ao nosso entendimento, devemos sempre recorrer a textos e contextos mais claros da Bíblia. Devemos procurar entender o significado gramatical original da época em que o texto foi escrito. A Bíblia interpreta a própria Bíblia. Portanto, jamais devemos extrair frases isoladas do texto.

Devemos analisar com cuidado os versículos bíblicos que causam divergências de interpretação no meio religioso.

Precisamos estudar a Bíblia com cuidado, sob a iluminação do Espírito Santo para evitar alegorias fantasiosas. É impossível ter uma interpretação genuína da Palavra de Deus sem a operação do Espírito Santo na nossa mente.

“Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.” - 1 Coríntios 2:14 (Almeida Revista e Corrigida).

O apóstolo Paulo alertou sobre um tempo de incredulidade e rebeldia, em que as pessoas não suportariam a sã doutrina e acumulariam mestres para satisfazerem seus próprios desejos.

“1 Conjuro-te, pois, diante de Deus e do Senhor Jesus Cristo, que há de julgar os vivos e os mortos, na sua vinda e no seu Reino,
2 que pregues a palavra, instes a tempo e fora de tempo, redarguas, repreendas, exortes, com toda a longanimidade e doutrina.
3 Porque virá tempo em que não sofrerão a doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências;
4 e desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas.” - 2 Timóteo 4:1-4 (Almeida Revista e Corrigida).

O apóstolo Paulo adverte contra os lobos devoradores que adulteram o Evangelho em busca de lucros. Os interesses pessoais dessas pessoas sempre estão acima da Palavra de Deus.

“Porque nós não estamos, como tantos outros, mercadejando a palavra de Deus. Pelo contrário, em Cristo é que falamos na presença de Deus, com sinceridade e da parte do próprio Deus.” - 2 Coríntios 2:17 (Nova Almeida Atualizada).

Jesus Cristo advertiu sobre os falsos profetas que se apresentam no meio do rebanho como ovelhas, porém os seus frutos os denunciam.

“15 Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas interiormente são lobos devoradores.
16 Por seus frutos os conhecereis. Porventura, colhem-se uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos?
17 Assim, toda árvore boa produz bons frutos, e toda árvore produz frutos maus.
18 Não pode a árvore boa dar maus frutos, nem a árvore dar frutos bons.
19 Toda árvore que não dá bom fruto corta-se e lança-se no fogo.
20 Portanto, pelos seus frutos os conhecereis.” - Mateus 7:15-20 (Almeida Revista e Corrigida).

Jesus refutou o diabo que lhe apresentou uma interpretação distorcida e uma aplicação do texto tendenciosa. Jesus rebateu com outro versículo bíblico.

“5 Então o diabo o transportou à Cidade Santa, e colocou-o sobre o pináculo do templo,
6 e disse-lhe: Se tu és o Filho de Deus, lança-te daqui abaixo; porque está escrito: Aos seus anjos dará ordens a teu respeito, e tomar-te-ão nas mãos, para que nunca tropeces em alguma pedra.
7 Disse-lhe Jesus: Também está escrito: Não tentarás o Senhor, teu Deus.” - Mateus 4:5-7

 2. Colocam ordenanças extrabíblicas acima da Palavra e graça de Deus. 

O legalismo religioso avalia a espiritualidade da pessoa apenas pela aparência exterior, colocando tradições humanas acima da Palavra de Deus.

O legalismo com seus usos e costumes é uma perversão do Evangelho. Jesus repreendeu os fariseus que estavam sempre dando um jeitinho de colocar os mandamentos de Deus de lado, para ensinarem tradições humanas.

“1 Ora, reuniram-se a Jesus os fariseus e alguns escribas, vindos de Jerusalém.
2 E, vendo que alguns dos discípulos dele comiam pão com as mãos impuras, isto é, por lavar
3 (pois os fariseus e todos os judeus, observando a tradição dos anciãos, não comem sem lavar cuidadosamente as mãos;
4 quando voltam da praça, não comem sem se aspergirem; e muitas outras coisas que receberam para observar, como a lavagem de copos, jarros e vasos de metal [e camas]),
5 interpelaram-no os fariseus e os escribas: Por que não andam os teus discípulos de conformidade com a tradição dos anciãos, mas comem com as mãos por lavar?
6 Respondeu-lhes: Bem profetizou Isaías a respeito de vós, hipócritas, como está escrito: Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim.
7 E em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens.
8 Negligenciando o mandamento de Deus, guardais a tradição dos homens.
9 E disse-lhes ainda: Jeitosamente rejeitais o preceito de Deus para guardardes a vossa própria tradição.” - Marcos 7:1-9 (Almeida Revista e Atualizada).

Ordenanças externas e humanas são tratadas como gabarito de espiritualidade ou condição para que a pessoa seja salva. Isso é heresia.

O apóstolo Paulo refutou veementemente as práticas legalistas e rigor ascético, que não têm valor algum contra a sensualidade, que acabam se deteriorando e inutilizadas pelo tempo.

“22 Todas essas regras estão destinadas a desaparecer pelo uso, pois se baseiam em ordenanças e ensinos meramente humanos.
23 Esses regulamentos têm, de fato, aparência de sabedoria, com sua pretensa religiosidade, falsa humildade e rígida disciplina para com o corpo, mas não têm valor algum para refrear as paixões da carne.” - Colossenses 2:22-23 (Bíblia King James Atualizada).

Só a obra consumada por Jesus Cristo e o poder do Espírito Santo no interior do crente têm poder para refrear as paixões carnais. As práticas legalistas e rigor ascético são meros ensinos humanos, sem nenhum valor espiritual

Jamais devemos aplicar usos e costumes como condição para a salvação, pois são ensinos e práticas inúteis. Até soa aos ouvidos dos incautos como coisa espiritual, mas não passam de estímulo à humildade fingida, falsa adoração e afronta ao Evangelho da Graça.

A salvação vem exclusivamente pela fé em Jesus Cristo.

“Sabendo que o homem não é justificado pelas obras da lei, mas pela em Jesus Cristo, temos também crido em Jesus Cristo, para sermos justificados pela de Cristo e não pelas obras da lei, porquanto pelas obras da lei nenhuma carne será justificada.” - Gálatas 2:16 (Almeida Revista e Corrigida).

 3. A Bíblia não condena o uso de joias, mas a excessiva vaidade e ostentação 

Muitos sistemas religiosos focam em aparências (corte de cabelo, joias, vestimentas) que não tem nenhum poder para combater pecados.

O legalismo religioso proíbe uso de joias onde a passagem bíblica define prioridade e não proibição absoluta.

Os adornos de ouro ou pérolas eram usados com símbolos de ostentação de poder e riqueza, quando Pedro escreveu a carta.

“3 Portanto, o que vos torna belas e admiráveis não devem ser os enfeites exteriores, como as tranças do cabelo, as finas joias de ouro ou o luxo dos vestidos.
4 Pelo contrário, esteja em vosso ser interior, que não se desvanece, toda a beleza que se revela mediante um espírito amável e cordato, o que é de grande valor na presença de Deus.
5 Porquanto, na antiguidade, era desse modo, que as santas mulheres que esperavam em Deus costumavam adornar-se. Elas eram dóceis cada qual para com seu próprio marido.” - 1 Pedro 3:3-5 (Bíblia King James Atualizada).

Pedro estava tratando sobre modéstia, sobriedade e decência e não um mandamento prescritivo.

Adornos são descritos como costumes culturais da época em que o texto foi escrito, sem valor espiritual para os nossos dias.

Deus não condena o uso de joias, mas a excessiva ostentação que revela um coração soberbo e vaidoso.

As mulheres cristãs devem priorizar a beleza interior com modéstia e equilíbrio. Se considerarmos o versículo 3 de 1 Pedro 3, “[...] não devem ser os enfeites exteriores [...]” como “proibição”, encontraremos enorme dificuldade para interpretar outros versículos da bíblia.

Trabalhai não pela comida que perece, mas pela comida que permanece para a vida eterna, a qual o Filho do Homem vos dará, porque a este o Pai, Deus, o selou.” - João 6:27 (Almeida Revista e Corrigida).

Devemos ou não devemos trabalhar pela comida? Trabalhai não pela comida que perece [...]”.

A Bíblia não nos proíbe trabalhar pelo sustento diário, muito pelo contrário. Vamos conferir juntos outros textos para melhor compreensão:

“10 Porque, quando ainda estávamos com vocês, ordenamos isto: "Se alguém não quer trabalhar, também não coma."
12 A essas pessoas determinamos e exortamos, no Senhor Jesus Cristo, que, trabalhando tranquilamente, comam o seu próprio pão.” - 2 Tessalonicenses 3:10, 12 (Nova Almeida Atualizada).

“Aquele que furtava não furte mais; antes, trabalhe, fazendo com as mãos o que é bom, para que tenha o que repartir com o que tiver necessidade.” - Efésios 4:28 (Almeida Revista e Corrigida).

O problema está na interpretação do texto bíblico.

A modéstia flui naturalmente de um coração regenerado, transformado pelo poder do Espírito Santo.

“26 E vos darei um coração novo e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei o coração de pedra da vossa carne e vos darei um coração de carne.
27 E porei dentro de vós o meu espírito e farei que andeis nos meus estatutos, e guardeis os meus juízos, e os observeis.” - Ezequiel 36:26-27 (Almeida Revista e Corrigida).

O foco deve estar “[...] em vosso ser interior, que não se desvanece, toda a beleza que se revela mediante um espírito amável e cordato, o que é de grande valor na presença de Deus.” - v. 4 (Bíblia King James Atualizada).

 4. As mulheres santas do Antigo Testamento usavam joias 

As mulheres santas do Antigo Testamento usavam joias e vestiam roupas caras. O que as definiam como “mulheres santas” era o caráter. Uma mulher com o coração transformado por Deus saberá se vestir com modéstia.

O texto de Êxodo 33:1-6 comprova o costume de uso de joias do povo de Deus.

Quando o povo pecava, era advertido a renunciar os adornos por algum tempo, como sinal de humilhação e quebrantamento diante do Senhor.

“1 O Senhor disse a Moisés: — Suba deste lugar, você e o povo que você tirou da terra do Egito, e vá para a terra a respeito da qual jurei a Abraão, a Isaque e a Jacó, dizendo: "Eu a darei à sua descendência."
2 Enviarei o Anjo adiante de você e expulsarei os cananeus, os amorreus, os heteus, os ferezeus, os heveus e os jebuseus.
3 Vão para uma terra que mana leite e mel. Eu não irei no meio de vocês, porque vocês são um povo teimoso, para que eu não os destrua no caminho.
4 Quando o povo ouviu estas más notícias, pôs-se a prantear, e nenhum deles usou as suas joias.
5 Porque o Senhor tinha dito a Moisés: "Diga aos filhos de Israel: ‘Vocês são um povo teimoso. Se eu fosse com vocês, ainda que por um momento, eu os destruiria. Portanto, tirem as suas joias, para que eu saiba o que hei de fazer com vocês.’"
6 Então os filhos de Israel tiraram de si as suas joias desde o monte Horebe em diante.” - Êxodo 33:1-6 (Nova Almeida Atualizada).

O povo estava em pecado por fabricar um bezerro de ouro. Eles tinham cometido o pecado de idolatria. Diante disso, Deus ameaçou não seguir viagem com eles, mas que enviaria um anjo em seu lugar.

A ameaça do afastamento de Deus por causa da rebelião do bezerro de ouro revela a gravidade do pecado na vida do ser humano. Deus é absolutamente santo e não pode tolerar o pecado.

Moisés (tipo de Cristo – nosso Mediador perfeito) se colocou na brecha, entre o povo e Deus, levantando um intenso clamor, recusando-se a sair do lugar sem a presença de Deus.

Deus ordenou que tirassem seus adornos em sinal de humilhação. Eles deveriam demonstrar profunda tristeza por estarem separados Dele pelo pecado praticado.

Terra que mana leite e mel sem a presença de Deus é inútil. O povo estava diante de uma urgente necessidade de recuperar a comunhão com Deus.

Atavios enfeitando o exterior sem a presença de Deus no coração não reflete nenhuma beleza ou valor. Por isso eles deveriam demonstrar publicamente sinal de luto e tristeza.

Arrependimento significava rasgar o coração na presença de Deus.

Rasgai o vosso coração, e não as vossas vestes, e convertei-vos ao Senhor, vosso Deus, porque ele é misericordioso, e compassivo, e tardio em irar-se, e grande em benignidade, e se arrepende do mal.” - Joel 2:13 (Almeida Revista e Atualizada).

Tirar os ornamentos sem quebrantamento interior não determinaria a misericórdia e graça de Deus em suas vidas.

Se despir de joias sem ter o coração transformado, não tem nenhum valor espiritual diante de Deus.

A verdadeira beleza vem da Presença de Deus em nossas vidas. O próprio arrependimento e a humilhação são frutos da graça de divina em nossas vidas.

Apesar da rebelião do povo, Deus renovou Sua aliança com eles, não por méritos, mas pela Sua graça.

“Deus respondeu: — A minha presença irá com você, e eu lhe darei descanso.” - Êxodo 33:14 (Nova Almeida Atualizada).

 5. O problema não está nas joias, mas no pecaminoso coração humano 

Êxodo 32:2 é outro texto usado fora do contexto histórico, social e cultural da época, para proibir o uso de joias.

“Respondeu-lhes Arão: "Tirem os brincos de ouro de suas mulheres, de seus filhos e de suas filhas e tragam-nos a mim".” - Êxodo 32:2 (Nova Versão Internacional).

No meu início de caminhada cristã ouvi uma pregação em que o pregador dizia que – “se as mulheres não tivessem usando joias, o bezerro de ouro não teria sido fabricado.”

O problema não é o uso de joias em si, mas a idolatria e rebeldia do coração do povo. O pecado está na motivação do coração e não no metal valioso.

Se o ouro fosse algo pecaminoso, Deus não teria entregue o ouro como despojo do Egito ao Seu povo.

“35 Os filhos de Israel fizeram conforme a palavra de Moisés e pediram aos egípcios objetos de prata, objetos de ouro e roupas.
36 E o Senhor fez com que o seu povo encontrasse favor da parte dos egípcios, de maneira que estes lhes davam o que pediam. E despojaram os egípcios.” - Êxodo 12:35-36 (Nova Almeida Atualizada).

 6. Julgamento das filhas de Sião 

Também já ouvi muitos pregadores proibirem o uso de joias baseados em Isaías 3:16-26.

“16 O Senhor disse: "Visto que são orgulhosas as filhas de Sião e andam de pescoço erguido, com olhar despudorado, dando passos curtos e fazendo tinir os enfeites dos tornozelos,
17 o Senhor fará com que apareça sarna na cabeça das filhas de Sião; o Senhor fará com que se veja a nudez delas."
18 Naquele dia, o Senhor tirará os enfeites que elas têm nos tornozelos, as toucas e os ornamentos em forma de meia-lua;
19 os pendentes, os braceletes e os véus esvoaçantes;
20 os turbantes, as correntinhas para os tornozelos, os cintos, as caixinhas de perfume e os amuletos;
21 os anéis e as joias pendentes do nariz;
22 os vestidos de festa, os mantos, os xales e as bolsas;
23 os espelhos, as roupas finíssimas, os enfeites para a cabeça e os véus.
24 Em vez de perfume haverá cheiro podre; em vez de cinto, uma corda; em vez de belos penteados, cabeça rapada; em vez de vestidos luxuosos, roupa feita de pano de saco; e marca de fogo em lugar de formosura.
25 Os homens de Jerusalém cairão à espada, e os valentes serão mortos na guerra.
26 Os portões da cidade chorarão e estarão de luto; Sião, desolada, se assentará no chão.” - Isaías 3:16-26 (Nova Almeida Atualizada).

Muitos líderes religiosos usam este texto fora do contexto histórico, em que o profeta Isaías denunciou as mulheres de elite de Jerusalém que ostentavam riqueza e status, ignorando seus deveres de manifestarem justiça às pessoas necessitadas.

Este texto não é mandamento sobre vestes, uso de joias ou adornos, mas uma profecia de juízo em consequência do estilo extremado de vaidade, sensualidade, autossuficiência, arrogância, soberba e futilidade das filhas de Sião, oprimindo as pessoas mais pobres.

Essas mulheres usavam vestes extravagantes, exageradas, cheias de adornos para ostentarem status e poder. Como consequência da ostentação e confiança nas riquezas, o profeta avisou que Deus retiraria delas a segurança em que estavam apoiadas.

“24 Em vez de perfume haverá cheiro podre; em vez de cinto, uma corda; em vez de belos penteados, cabeça rapada; em vez de vestidos luxuosos, roupa feita de pano de saco; e marca de fogo em lugar de formosura.
25 Os homens de Jerusalém cairão à espada, e os valentes serão mortos na guerra.
26 Os portões da cidade chorarão e estarão de luto; Sião, desolada, se assentará no chão.” - v. 24-26 (Nova Almeida Atualizada).

O problema não está nos bens materiais que são dádivas de Deus, mas da atitude interior. Elas deveriam usar os recursos financeiros para a glória de Deus, amor, misericórdia e graça ao próximo, e não apenas para ostentação de si mesmas.

Essas mulheres faziam tinir os enfeites, para serem notadas, andando com sensualidade, de cabeça erguida, flertando com os olhos, demonstrando o quanto seus corações idólatras estavam afastados de Deus.

Elas confiavam mais no status e aparência do que em Deus. O problema não estava nas joias e perfumes, mas no coração cheio de soberba, que fazia questão de ostentar riqueza excessiva diante de todos.

 7. Homens e mulheres israelitas doaram suas joias para construção do tabernáculo. 

“Vieram homens e mulheres, todos dispostos de coração; trouxeram fivelas, pendentes, anéis, braceletes, todos os objetos de ouro; todo homem fazia oferta de ouro ao Senhor.” - Êxodo 35:22 (Almeida Revista e Atualizada).

Já ouvi muitos líderes legalistas dizerem que – “Se os israelitas não tivessem ouro, o bezerro de ouro não teria sido fabricado”.

Quem faz esse tipo de comentário ignora totalmente a causa do pecado. Evitar usar adornos não refreia a natureza caída, que todos nós nascemos com ela. O pecado procede do coração do homem e não dos objetos que usamos.

“Porque do coração procedem os maus pensamentos, mortes, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias.” - Mateus 15:19 (Almeida Revista e Corrigida).

O povo pecou por falta de confiança em Deus. Até hoje as pessoas têm dificuldade de crer no Deus invisível e soberano, que criou o Universo e todas as coisas. O povo vive em busca de um deus palpável e que possa ser visto com os olhos físicos.

“1 O povo, ao ver que Moisés demorava a descer do monte, juntou-se ao redor de Arão e lhe disse: "Venha, faça para nós deuses que nos conduzam, pois a esse Moisés, o homem que nos tirou do Egito, não sabemos o que lhe aconteceu".
2 Respondeu-lhes Arão: "Tirem os brincos de ouro de suas mulheres, de seus filhos e de suas filhas e tragam-nos a mim".
3 Todos tiraram os seus brincos de ouro e os levaram a Arão.
4 Ele os recebeu e os fundiu, transformando tudo num ídolo, que modelou com uma ferramenta própria, dando-lhe a forma de um bezerro. Então disseram: "Eis os seus deuses, ó Israel, que tiraram vocês do Egito!"” - Êxodo 32:1-4 (Nova Versão Internacional).

O foco nunca esteve no ouro, mas na atitude do povo, visto que o mesmo material que serviu para fabricar de forma pecaminosa o bezerro de ouro, foi utilizado para o serviço do tabernáculo para a glória de Deus.

“Vieram homens e mulheres, todos dispostos de coração; trouxeram fivelas, pendentes, anéis, braceletes, todos os objetos de ouro; todo homem fazia oferta de ouro ao Senhor.” - Êxodo 35:22 (Almeida Revista e Atualizada).

A raiz do problema não estava no ouro. Se não tivesse ouro eles teriam feito um “deus” de argila, madeira ou qualquer outro material que encontrassem.

O apóstolo Estevão salientou que os israelitas fabricaram o bezerro de ouro porque o coração deles ainda estava no Egito. A idolatria estava dentro deles e não nas coisas exteriores.

“39 — Nossos pais não quiseram obedecer a Moisés, mas o rejeitaram e, no seu coração, voltaram para o Egito,
40 dizendo a Arão: "Faça para nós deuses que vão adiante de nós; porque, quanto a este Moisés, que nos tirou da terra do Egito, não sabemos o que lhe aconteceu."
41 Naqueles dias, fizeram um bezerro e ofereceram sacrifício ao ídolo, alegrando-se com as obras das suas mãos.
42 Mas Deus se afastou e os entregou à adoração das estrelas do céu, como está escrito no Livro dos Profetas: "Ó casa de Israel, será que foi para mim que vocês ofereceram vítimas e sacrifícios no deserto, durante quarenta anos?
43 Não é verdade que vocês levantaram o tabernáculo de Moloque e a estrela de Renfã, o deus de vocês, imagens que vocês fizeram para as adorar? Por isso, vou mandar vocês ao exílio para além da Babilônia."” - Atos 7:39-43 (Nova Almeida Atualizada).

A remoção física dos adornos não tem nenhum valor contra a carne. A idolatria está no coração e não nos objetos, que expressam exteriormente o desejo pecaminoso do ser humano.

Os legalistas tentam santificar pessoas por intermédio de regras ascéticas equivocadas. Focam no comportamento externo e ignoram a urgente necessidade da transformação operada pelo Espírito Santo no interior da pessoa.

 8. A censura do sábio à um ouvido atento, é comparada a um adorno de ouro puro. 

“Anel de ouro ou colar de ouro fino é a censura do sábio para o ouvido atento.” - Provérbios 25:12 (Bíblia King James Atualizada).

Se o adorno fosse algo pecaminoso em si mesmo, Deus não empregaria metáforas para ilustrar a beleza e o alto preço de uma correção sábia e virtuosa a um ouvido receptivo. É uma ilustração maravilhosa da perfeição da correção feita com discernimento e o ouvido atento. Ambos em ação em perfeita sintonia para a glória de Deus.

Conselho sábio à um ouvido desatento significa desperdício, visto que o ouvinte distraído e desinteressado continuará sendo tolo.

“8 Meu filho, ouça o ensino de seu pai e não despreze a instrução de sua mãe.
9 Porque serão um diadema de graça para a sua cabeça e colares para o seu pescoço.” -Provérbios 1:9 (Nova Almeida Atualizada).

Tanto a repreensão sábia quanto o ouvido atento ilustram a preciosidade da sabedoria, correção e da disposição em ouvir.

É uma figura de linguagem que trata daquele que oferece repreensão com amor, temperança e temor de Deus, adicionada com a disposição humilde daquele que a recebe como um presente valioso. O receptor ouve a repreensão com humildade, coração ensinável, submisso a Deus; disposto a mudar e produzir muitos frutos para a glória de Deus.

O foco do versículo está na harmonia entre repreender e a disposição do receptor em ouvir, aprender e mudar de direção. Sabemos que o ouvir vem de Deus. Sem a intervenção do Espírito Santo o homem caído continuará rejeitando a repreensão divina.

Só mesmo pela graça irresistível o homem não regenerado poderá reconhecer o valor incalculável da Palavra de Deus, nascer de novo, receber um novo coração, ser justificado e andar em santificação.

Provérbios 1:9 refuta o legalismo ascético, porém nos adverte que a beleza divina é infinitamente superior a aparência estética.

 9. Rebeca recebeu pendentes e braceletes de ouro como presente de casamento. 

O uso de joias era costume cultural no Oriente Médio, habitual em acordos matrimoniais, presentes a alguém ou demonstração de riqueza.

“22 Quando os camelos acabaram de beber, o homem pegou um pendente de ouro pesando seis gramas e duas pulseiras para as mãos dela, pesando cento e vinte gramas de ouro.
30 Acontece que Labão tinha visto o pendente e as pulseiras nas mãos de sua irmã e ouvido as palavras de Rebeca, sua irmã, que dizia: "Ele me falou assim e assim." Por isso foi até onde ele estava e o encontrou em pé junto aos camelos, ao lado da fonte.
53 Tirou joias de ouro e de prata e vestidos e os deu a Rebeca. Também deu ricos presentes ao irmão e à mãe dela.” - Gênesis 24:22, 30, 53 (Nova Almeida Atualizada).

 10. Como uma noiva enfeitada com joias. 

“Eu me regozijo muito no Senhor; a minha alma se alegra no meu Deus. Pois ele me cobriu com vestes de salvação, e me envolveu com o manto de retidão, como o noivo que se adorna com um turbante, e como a noiva que se enfeita com as suas joias.” - Isaías 61:10 (Almeida Edição Contemporânea).

Se o uso de joias fosse pecaminoso, Deus não teria empregado o uso de joias como símbolo do Seu favor divino, alegria e aliança, através de uma metáfora citada pelo profeta Isaías.

Era costume da época, noivos e noivas se ataviarem com as melhores roupas e joias para a cerimônia de casamento.

O uso de joias era comparado a alegria de receber a justiça de Deus.

Se Deus usou uma metáfora culturalmente positiva para salientar que o uso de joias pelos noivos significa alegria genuína, então o uso de joias sob a direção e iluminação do Espírito Santo não pode ser pecado.

Vestuários, usos de joias é uma questão de contexto cultural e liberdade de consciência.

Usos e costumes com suas rígidas regras não podem ser “termômetros espirituais” para medir ou comprovar espiritualidade ou salvação das pessoas.

A alegria da salvação é comparada a uma noiva adornada com suas joias.

Todas as dádivas que recebemos de Deus são boas e lícitas para o nosso benefício, porém, devem ser usadas com bom senso e moderação. Essas coisas não devem ser objetos de idolatria ou de ostentação desregrada.

A vaidade e o orgulho procedem do coração pecaminoso e não da joia ou da roupa que a pessoa veste.

 11. O profeta Ezequiel descreve Israel como uma noiva adornada com pulseiras e colar. 

Joias são empregadas como metáfora de amor e aliança entre Deus e o Seu povo.

“9 — "Então eu a lavei com água, limpei o sangue que a cobria e a ungi com óleo.
10 Também a vesti com roupas bordadas e lhe dei sandálias feitas com couro da melhor qualidade; eu a cingi de linho fino e a cobri de seda.
11 Também a enfeitei com joias: braceletes nas mãos e um colar no pescoço.
12 Coloquei um pendente em seu nariz, brincos nas orelhas e uma linda coroa na cabeça.
13 Assim, você foi enfeitada com ouro e prata; as suas roupas eram de linho fino, de seda e de bordados. Você se alimentou da melhor farinha, de mel e azeite; você era muito bonita e chegou a ser rainha.
14 A sua fama correu entre as nações, por causa da sua beleza, pois você era perfeita, por causa do meu esplendor que eu tinha posto sobre você, diz o Senhor Deus.” - Ezequiel 16:9-14 (Nova Almeida Atualizada).

Se o uso de joias fosse pecaminoso Deus não ilustraria de forma poética o Seu profundo amor pelo Seu povo, usando joias como símbolo do Seu cuidado, amor e aliança.

A conversão genuína vai muito além de vestimentas exteriores ou uso de adornos. A verdadeira transformação espiritual deriva do coração regenerado por Deus e não pelas imposições de regras externas. O Espírito Santo conduz o verdadeiro crente à modéstia e o bom senso em tudo o que faz.

Joias são criações de Deus (graça comum) para retratar a bondade e amparo de Deus para com o Seu povo.

O problema não é o ouro, mas o coração depravado do ser humano.

 12. As mulheres devem cuidar da aparência pessoal e da sua própria casa. 

“Faz para si cobertas, veste-se de linho fino e de púrpura.” - Provérbios 31:22 (Nova Almeida Atualizada).

O texto bíblico apresenta uma mulher diligente preparando as próprias vestes.

Esta mulher se vestia com decência e elegância. Isso prova que embelezamento não é atitude pecaminosa. Este texto valida a estética e o cuidado com a aparência.

Cuidar do corpo e da aparência não é atitude de rebeldia contra Deus, mas o reflexo da mordomia cristã, visto que o corpo é o templo do Espírito Santo.

Essa mulher se vestia com linho fino, seda e púrpura que era moda na época.

Púrpura era um corante caríssimo naquela época. Era um artigo de luxo acessível a poucos.

Este versículo desmonta o discurso dos legalistas que o crente não pode andar na moda. A verdadeira beleza procede da presença de Cristo na vida do cristão e não na ausência de adornos.

A graça genuína liberta o homem dos dogmas do legalismo, por isso rejeitamos o gnosticismo e ascetismo que vê o mundo material como mau. O cristão deve desfrutar dos bens concedidos por Deus com gratidão no coração. Isso inclui o ouro e pedras preciosas.

 13. Confira tudo o que ouve ou lê, para comprovar se tem base bíblica 

Exibicionismo e confiança depositada nos adornos é pecado e proibir o que Deus não proíbe em Sua Palavra também é atitude pecaminosa.

O apóstolo Paulo elogiou os irmãos de Bereia que diariamente conferiam tudo o que ouviam, examinando as Escrituras, para certificarem-se de que estavam ouvindo a verdade.

“Ora, estes foram mais nobres do que os que estavam em Tessalônica, porque de bom grado receberam a palavra, examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim.” - Atos 17:11 (Almeida Revista e Corrigida).

o texto revela a nobreza espiritual dos bereanos que examinavam diariamente tudo o que ouviam, para confirmar se realmente estavam recebendo a genuína Palavra de Deus.

A atitude deles revela que eles tinham interesse na Palavra de Deus. Eles recebiam a pregação com avidez e entusiasmo. Muito diferente de muitas congregações de nossos dias, em que as pessoas estão sentadas nos bancos ou cadeiras, desanimadas, com semblante caído, dominadas pela sonolência.

Quando a pessoa tem interesse na Palavra de Deus, há receptividade no que ouve. Está sempre com a Bíblia aberta conferindo os textos citados.

Eles não acolhiam cegamente, tudo o que ouviam. Percebemos que eles não emprestavam seus ouvidos a qualquer coisa, pois eles usavam a Bíblia como régua. Eles tinham por hábitos examinar as Escrituras diariamente. “[...] Examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim.” - Atos 17:11 (Almeida Revista e Corrigida).

Eles não eram como muitos crentes em nossos dias que só leem a Bíblia no culto. Nas suas casas, eles liam e pesquisavam a Palavra de Deus diariamente.

Não combatemos as heresias com nossas próprias opiniões, mas com a pregação expositiva da Palavra de Deus, por isso os bereanos tinham discernimento e maturidade espiritual.

As heresias ganham novos adeptos “fervorosos” que se empenham com mangas arregaçadas para passar adiante a mentira como verdadeira interpretação. Dessa maneira vão surgindo novas ramificações e falsas doutrinas.

Creio que um dos trabalhos mais difíceis de um pastor em nossos dias é convencer o povo a buscar um conhecimento profundo da Palavra de Deus. Infelizmente, percebo que muitos crentes não gostam de ler a Bíblia. Não têm o hábito de analisar livro por livro, conferindo o contexto histórico cultural da época em que o texto foi escrito.

Se você está cansado de viver tentando alcançar o favor divino pelo próprio esforço ou comportamento exterior; esta mensagem é para você. Você precisa saber que a salvação é um dom gratuito e que as boas obras são consequências de sermos salvos por Jesus Cristo, e não um meio para alcançá-la ou mantê-la.

A verdadeira transformação no processo contínuo de santificação é operada pelo Espírito Santo e não no cumprimento de regras inventadas por homens.

Se Palavra desceu ao seu coração, ore juntamente comigo.

 Oração:  Pai Celestial, Deus de graça, amor e misericórdia. Reconheço minha fragilidade humana e minha total dependência da Tua graça se manifestando em minha vida. Capacita-me a vestir-me e comportar-me na sociedade para a Tua glória. Rejeito o legalismo religioso e também rejeito a excessiva vaidade e ostentação. Capacita-me com sabedoria, para que eu possa viver de maneira sóbria, equilibrada, modesta e respeitosa. Que minha aparência exterior reflita o novo coração transformado que recebi de Ti, manifestando luz e o agradável perfume de Cristo.
Em nome de Jesus, te agradeço.
Amém!

Josnei Borges dos Santos
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