Obs: Todos os subginhados, grifos em negrito nos textos bíblicos são meus.
Por: Josnei Borges dos Santos
Texto base: Mateus 16:13-20
A confissão de Pedro
“13 Indo Jesus para os lados de Cesareia de Filipe, perguntou a seus discípulos: Quem diz o povo ser o Filho do Homem?14 E eles responderam: Uns dizem: João Batista; outros: Elias; e outros: Jeremias ou algum dos profetas.15 Mas vós, continuou ele, quem dizeis que eu sou?16 Respondendo Simão Pedro, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.17 Então, Jesus lhe afirmou: Bem-aventurado és, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue que to revelaram, mas meu Pai, que está nos céus.18 Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.19 Dar-te-ei as chaves do reino dos céus; o que ligares na terra terá sido ligado nos céus; e o que desligares na terra terá sido desligado nos céus.20 Então, advertiu os discípulos de que a ninguém dissessem ser ele o Cristo.” - Mateus 16:13-20 (Almeida Revista e Atualizada).
1. Por que Jesus fez a pergunta sobre Sua identidade na cidade pagã e idolatra de Cesareia de Felipe?
“Indo Jesus para os lados de Cesareia de Filipe [...]” - v. 13 (Almeida Revista e Atualizada).
O fato de Jesus ter feito a pergunta sobre Sua identidade no distrito de Cesareia de Filipe não foi acidental. Jesus precisava de um local reservado para ensinar os Seus discípulos. Ele demonstra aos seus discípulos a fraqueza e inutilidade dos falsos deuses locais.
Jesus confrontou o paganismo e o poder imperial. Ele escolheu um local neutro e hostil, longe dos astutos fariseus e da multidão da Galileia, para mostrar o contraste teológico entre a soberania dos reinos terrenos, os seus falsos deuses, com a Soberania do verdadeiro Messias, Criador do Universo, o verdadeiro Deus que sustenta todas as coisas.
Jesus saiu do território estritamente judaico, conduzindo os discípulos para Cesareia de Felipe, que era o apogeu da idolatria, onde a maior parte da população não era judia. Estava situada cerca de 40 quilômetros ao norte do Mar da Galileia.
Jesus escolheu o distrito de Cesareia de Filipe, uma terra gentia para fazer a pergunta sobre Sua identidade. A cidade exibia templos, grutas devocionais, estátuas de falsos deuses. Nesse lugar idolatravam o deus Pã e também tinha sido estabelecido culto imperial a César.
A cidade exibia templos devotados ao imperador romano César Augusto que era visto como um deus. Também tinha Grutas de culto ao deus Pã onde ocorriam rituais de depravação sexual.
A pergunta de Jesus na cidade de Cesareia de Filipe foi pedagógica. Ele estava ensinando os Seus discípulos que a Sua identidade divina não se mistura com filosofias e mitologias mundanas.
Jesus levou os Seus discípulos a Cesareia de Felipe para contrastar o sistema de culto pagão de deuses mortos com o verdadeiro culto e adoração do Deus Vivo. O Messias divino contrastando o messianismo nacionalista e político terreno.
Jesus queria demonstrar aos discípulos que a Igreja não é edificada sobre ídolos espirituais ou poderes políticos deste mundo caído, mas sobre Cristo, o Filho do Deus vivo.
2. O que significa a expressão (termo) Filho do Homem?
“[...] perguntou a seus discípulos: Quem diz o povo ser o Filho do Homem?” - v. 13 (Almeida Revista e Atualizada).
Pedro confessou que Jesus é, ao mesmo tempo 100% homem, por isso é descrito como Filho do homem; e Jesus é 100% Deus, descrito como Filho do Deus vivo.
2.1. União hipostática (Natureza divina e humana de Jesus)
É a união eterna e indissolúvel a partir da encarnação.
A expressão “Filho do Homem” aponta para a união hipostática em que o Deus verdadeiro assumiu a natureza humana para cumprir em perfeita obediência e submissão voluntária a Aliança da Redenção (plano redentor).
“Assim, ao Rei eterno, imortal, invisível, Deus único, honra e glória para todo o sempre. Amém!” - 1 Timóteo 1:17 (Nova Almeida Atualizada).
A essência divina não pode sofrer mutação, dor, sangrar ou cessar de existir.
“Toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança, nem sombra de variação.” - Tiago 1:17 (Almeida Revista e Corrigida).
Jesus precisou da nossa natureza humana para morrer e nos substituir na cruz.
“E, visto como os filhos participam da carne e do sangue, também ele participou das mesmas coisas, para que, pela morte, aniquilasse o que tinha o império da morte, isto é, o diabo.” - Hebreus 2:14 (Almeida Revista e Corrigida).
“Porque há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo, homem.” - 1 Timóteo 2:5 (Almeida Revista e Corrigida).
“Jesus Cristo Homem” fala das duas naturezas. Natureza humana e natureza divina.
O homem não poderia morrer na cruz para salvar a si mesmo, visto que a sua dívida de pecados é impagável.
“7 Mas não são capazes de se redimir da morte e pagar um resgate a Deus.
8 O preço para resgatar uma vida é altíssimo, e ninguém é capaz de pagar o suficiente
9 para viver para sempre e jamais ver a sepultura.” - Salmos 49:7-9 (Nova Versão Transformadora).
A humanidade de Jesus sucumbiu à morte. Mas o poder da Sua divindade ressuscitou o corpo de Jesus.
“17 Por isso, o Pai me ama, porque eu dou a minha vida para a reassumir.
18 Ninguém a tira de mim; pelo contrário, eu espontaneamente a dou. Tenho autoridade para a entregar e também para reavê-la. Este mandato recebi de meu Pai.” - João 10:17-18 (Almeida Revista e Atualizada).
A natureza humana de Jesus morreu na cruz, porém foi sustentada pelo poder da natureza divina.
Somente a natureza divina poderia suportar ou esgotar a ira divina sem ser destruída. Foi a natureza divina que sustentou a humanidade de Jesus na cruz, satisfazendo plenamente a justiça de Deus.
Nenhum ser humano em sua estrutura fraca e finita suportaria a infinita ira de Deus sobre a cruz.
Se Jesus fosse apenas homem, seria incapaz de salvar. Se fosse apenas Deus, não poderia morrer pela humanidade, pois Deus não morre.
“Porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade.” - Colossenses 2:9 (Almeida Revista e Corrigida).
Ele experimentou as nossas fraquezas humanas para ser um Sumo Sacerdote compassivo. Jesus precisou compartilhar da carne e do sangue para obedecer a lei e morrer na cruz como nosso substituto. Ele participou dos nossos sofrimentos, fraquezas para interceder por nós como Sumo Sacerdote, misericordioso e fiel.
“14 E, visto como os filhos participam da carne e do sangue, também ele participou das mesmas coisas, para que, pela morte, aniquilasse o que tinha o império da morte, isto é, o diabo,
15 e livrasse todos os que, com medo da morte, estavam por toda a vida sujeitos à servidão.
16 Porque, na verdade, ele não tomou os anjos, mas tomou a descendência de Abraão.
17 Pelo que convinha que, em tudo, fosse semelhante aos irmãos, para ser misericordioso e fiel sumo sacerdote naquilo que é de Deus, para expiar os pecados do povo.
18 Porque, naquilo que ele mesmo, sendo tentado, padeceu, pode socorrer aos que são tentados.” - Hebreus 2:14-17 (Almeida Revista e Corrigida).
“14 Visto que temos um grande sumo sacerdote, Jesus, Filho de Deus, que penetrou nos céus, retenhamos firmemente a nossa confissão.
15 Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado.” - Hebreus 4:15-16 (Almeida Revista e Corrigida).
Foi necessário Jesus se tornar em tudo semelhante aos homens para ser um sacerdote manifestando misericórdia.
Ele pode ser nosso Sumo Sacerdote porque participou das fraquezas e tentações humanas no Seu ministério terreno.
3. Significado do termo “Cristo Filho de Deus”
“Respondendo Simão Pedro, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.” - v. 16 (Almeida Revista e Atualizada).
A graça soberana revelou a Pedro o Messias prometido. O apóstolo reconheceu o Cristo encarnado. “[...] Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.” - v. 16.
3.1. Cargo único: “Cristo” Significa (O Messias) “o ungido”.
3.2. Ofício triplo: A função de Jesus é tríplice: Profeta, Sacerdote e Rei.
a. Ofício de Profeta: Jesus revela a Palavra e a vontade de Deus.
b. Ofício de Sacerdote: Jesus Se ofereceu a Si mesmo como sacrifício substitutivo e expiatório. Ressuscitado ascendeu vitorioso ao céu e intercede por cada um daqueles que Ele recebeu na eternidade.
c. Ofício de Rei: Jesus governa soberanamente o Universo, protege o Seu povo, subjugando os seus inimigos.
3.3. Filho do Deus vivo: Não significa que Jesus teve início de dias.
a. Jesus não foi criado e nem teve Seu início nascendo numa manjedoura: Sua divindade é eterna. Ele não deixou de ser Deus ao nascer como homem.
Jesus não teve começo temporal. Na manjedoura teve início a Sua natureza humana. Na “união hipostática” Jesus passou a ter duas naturezas completas em uma só pessoa: 100% Deus e 100% homem, sem divisão ou confusão. Plenamente Deus e plenamente homem.
Na manjedoura não teve início de Sua existência. Ele sempre existiu e sempre foi Deus.
“E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.” - João 1:14 (Nova Versão Internacional).
Jesus é eterno. Ele não tem começo e nem fim.
“"E você, Belém-Efrata, que é pequena demais para figurar como grupo de milhares de Judá, de você me sairá aquele que há de reinar em Israel, e cujas origens são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade."” - Miquéias 5:2 (Nova Almeida Atualizada).
“E, agora, glorifica-me tu, ó Pai, junto de ti mesmo, com aquela glória que tinha contigo antes que o mundo existisse.” - João 17:5 (Almeida Revista e Corrigida).
O Deus eterno esvaziou-Se assumindo a carne humana, sem deixar de ser o verdadeiro Deus.
“6 Que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus.
7 Mas aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens;
8 e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte e morte de cruz.” - Filipenses 2:6-8 (Almeida Revista e Corrigida).
O próprio Filho pré-existente apregoou Sua existência eterna e atemporal.
“Disse-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que, antes que Abraão existisse, eu sou.” - João 8:58 (Almeida Revista e Corrigida).
“Deus disse a Moisés: — Eu Sou o Que Sou. Disse mais: — Assim você dirá aos filhos de Israel: "Eu Sou me enviou a vocês.” - Êxodo 3:14 (Nova Almeida Atualizada).
“Eu sou o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim, diz o Senhor, que é, e que era, e que há de vir, o Todo-Poderoso.” - Apocalipse 1:8 (Almeida Revista e Corrigida).
“1 No princípio, era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.
2 Ele estava no princípio com Deus.” - João 1:1-2 (Almeida Revista e Corrigida).
Jesus não teve começo no tempo. Ele é Criador e não criatura.
“16 Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para ele.
17 E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele.” - Colossenses 1:16-17 (Almeida Corrigida Fiel).
Ele é o Criador de todas as coisas.
“Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez.” - João 1:3 (Almeida Revista e Corrigida).
3.4. Natureza humana de Jesus sem pecado: Jesus assumiu a nossa natureza humana, contudo sem nenhuma mancha ou culpa do pecado original do primeiro Adão.
• Jesus nunca cometeu pecado em pensamento, palavra ou ação.• Ele não herdou a corrupção adâmica em Sua natureza humana.• Sua divindade garante que a Sua humanidade permaneça santa.
Jesus possuía um corpo verdadeiro, real, com alma, mente e vontade humana, porém não possuiu a natureza caída (depravação total) do ser humano.
• Jesus em Sua humanidade teve um corpo;• Compartilhou a humanidade humana;• Compartilhou das nossas fraquezas físicas;• Sentiu fome;• Sentiu cansaço;• Sentiu dor;• Chorou;• Foi tentado;• E morreu numa cruz.
4. Revelação do Pai (Não de carne ou sangue)
“Então, Jesus lhe afirmou: Bem-aventurado és, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue que to revelaram, mas meu Pai, que está nos céus.” - v. 17 (Almeida Revista e Atualizada).
Pedro não recebeu a revelação da divindade de Cristo por Si mesmo, mas por iluminação e revelação interna do Espírito Santo.
Pedro recebeu a revelação pela operação monergista, soberana e iluminadora do Espírito Santo. Em Pedro manifestou-se a graça irresistível de Deus.
A graça irresistível não deriva da carne, do livre arbítrio natural humano. O homem natural está espiritualmente morto e cego às verdades espirituais.
“Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.” - 1 Coríntios 2:14 (Almeida Revista e Corrigida).
O intelecto humano decaído pelo pecado é incapaz de ter revelação de Deus por si mesmo. Se o Espírito Santo não remover a cegueira, nenhum ser humano pode contemplar a glória de Deus. Se não tiver a iniciativa da iluminação divina, o coração do homem não regenerado permanece em densas trevas espirituais.
A mente e a vontade do homem caído estão totalmente afetadas pelo pecado. A carne e o sangue são incapazes de reconhecer a verdadeira identidade de Jesus. Sem regeneração, ninguém verá a Deus.
“3 Jesus respondeu e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus.
5 Jesus respondeu: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito não pode entrar no Reino de Deus.
6 O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito.” - João 3:3, 5-6 (Almeida Revista e Corrigida).
Precisamos entender que um morto está impossibilitado de dar o primeiro passo em direção a Deus, se não tiver a operação do Espirito Santo em sua vida.
A confissão de Pedro destaca com exclusividade a eleição e revelação do Pai Celestial.
O homem não regenerado, está totalmente imerso nas trevas do pecado. Ele é incapaz de discernir a Cristo pela sua própria capacidade mental ou intelectual. Sem a iluminação interna e soberana do Espírito Santo ele permanece ignorante em relação as coisas espirituais.
Pedro não teve a revelação pela sua própria sabedoria ou esforço intelectual, mas pela graça soberana do Pai Celestial.
Necessitamos diariamente da graça soberana de Deus para iluminar o nosso entendimento.
4.1. Como o homem natural vê Jesus?
O homem natural vê Jesus apenas de forma horizontal. Não tem discernimento espiritual para reconhecer Jesus em Sua divindade.
• O homem não regenerado vê Jesus apenas como um grande líder,• Um grande mestre,• um personagem histórico,• um mero homem iluminado,• um profeta,• um mestre,• um guia espiritual,• um revolucionário,• um reformador social,• um terapeuta,• um sábio que desafiou os intelectuais,• um personagem histórico,• um exemplo de amor,• um mero milagreiro,• um homem incompreendido que morreu numa cruz.• Um homem bondoso que curava as pessoas,• Um homem que alimentava os famintos,• Um homem que apregoava justiça social,• Um homem que demonstrou exemplo de ética e moral para o mundo.
Todas essas opiniões humanas são insuficientes para a salvação.
5. Igreja edificada sobre a pedra
“Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.” - v. 18 (Almeida Revista e Atualizada).
A Rocha que a Igreja está fundamentada é o próprio Cristo.
“Porque ninguém pode pôr outro fundamento, além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo.” - 1 Coríntios 3:11 (Almeida Revista e Corrigida).
Não podemos interpretar a “pedra” como Pedro, mas como “a confissão de Pedro” sobre a divindade do Senhor Jesus. O próprio “Cristo como o fundamento da igreja”.
A Rocha firme e inabalável não é a pessoa falível do apóstolo Pedro, mas a sua “confissão da divindade de Cristo”.
A igreja de Cristo não está edificada em Pedro, mas no conteúdo da própria confissão de Pedro (petros). “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.” - v. 16 (Almeida Revista e Atualizada).
6. As portas do inferno não prevalecerão contra a igreja
“Dar-te-ei as chaves do reino dos céus; o que ligares na terra terá sido ligado nos céus; e o que desligares na terra terá sido desligado nos céus.” - v. 19 (Almeida Revista e Atualizada).
Jesus declara que Sua Igreja está edificada protegida, blindada contra as investidas do império da morte, num território onde dedicava culto ao imperador e ao deus grego Pã. Foi diante do santuário associado às portas do inferno que Jesus declarou o triunfo da Sua Igreja.
A Gruta deus Pã era associada à entrada para o mundo dos mortos. Esse lugar estava envolvido com os rituais de fertilidade. Essa caverna era vista como a entrada para o submundo. Era considerada a “porta do inferno”. Foi exatamente nesse lugar que Jesus declarou:
“Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.” - v. 18.
Jesus ressaltou o decreto irrevogável do Pai Celestial. Destacou a absoluta impotência das trevas diante do inabalável Reino de Deus.
Jesus destacou a inabalabilidade da Sua Igreja.
A Igreja é edificada sobre o decreto do Deus soberano e não sobre os frágeis méritos, esforços ou obras humanas.
“Quem pratica o pecado é do diabo, porque o diabo vive pecando desde o princípio. Para isto o Filho de Deus se manifestou: para desfazer as obras do diabo.” - 1 João 3:8 (Almeida Revista e Corrigida).
A igreja de Cristo não teme os poderes seculares e espirituais deste mundo caído em pecados.
Nada pode deter o avanço vitorioso da Igreja de Cristo. A igreja é sustentada pelo poder soberano e não por frágeis poderes humanos.
“14 havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma maneira nos era contrária, e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz.
15 E, despojando os principados e potestades, os expôs publicamente e deles triunfou em si mesmo.” - Colossenses 2:14-15 (Almeida Revista e Corrigida).
Os poderes seculares demoníacos deste mundo são impotentes para resistir a graça irresistível do nosso Deus soberano, que decreta e executa todas as coisas, conforme a Sua vontade.
A igreja de Cristo triunfa sobre os poderes das trevas, sempre avançando invencivelmente; aniquilando, assolando, destruindo fortalezas espirituais.
“3 Porque, andando na carne, não militamos segundo a carne.
4 Porque as armas da nossa milícia não são carnais, mas, sim, poderosas em Deus, para destruição das fortalezas;
5 destruindo os conselhos e toda altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo entendimento à obediência de Cristo.” - 2 Coríntios 10:3-5 (Almeida Revista e Corrigida).
O Reino de Cristo não avança por poderes políticos humanos ou pelos reinos caídos deste mundo.
Precisamos entender que o avanço do Evangelho da Graça em territórios pagãos e hostis não depende de fórmulas mágicas ou da força humana.
Igreja está segura “em Jesus Cristo”.
Descansamos na promessa de que a igreja de Cristo permanece segura, inabalável. Esta promessa nos conforta e tranquiliza nos períodos de tentações e perseguições. Estamos protegidos “em Jesus Cristo”.
7. As Chaves do Reino dos céus e o ato de ligar e desligar
“Dar-te-ei as chaves do reino dos céus; o que ligares na terra terá sido ligado nos céus; e o que desligares na terra terá sido desligado nos céus.” - v. 19 (Almeida Revista e Atualizada).
As chaves do Reino significam a autoridade da pregação do Evangelho.
É o ministério da Palavra de Deus que “liga e desliga” na terra e no céu.
As Chaves do Reino não pertencem a um bispo primaz (exclusivo), mas confiadas à Igreja visível de Jesus Cristo.
A existência e perseverança da Igreja não dependem de forças humanas, mas da iniciativa do Deus soberano em outorgar fé e capacitar à cada um que Ele escolheu a perseverar em obediência à Sua Palavra.
As “chaves do Reino” descritas em Mateus 16:19 e o poder de desligar descrito em Mateus 18:18, referem-se estritamente ao “ministério da Palavra de Deus” e a “disciplina eclesiástica” que deve ser exercida na Igreja visível.
• As chaves do Reino não devem ser interpretadas como autoridade conferida a Pedro, que transmite aos seus sucessores;• As chaves do Reino não devem ser interpretadas como poder sacramental para absolver pecados;• As chaves do Reino não devem ser interpretadas como status de “super-autoridade” a líderes religiosos para supostamente abençoar ou amaldiçoar pessoas.• As chaves do Reino não devem ser interpretadas ou usadas como desculpas para manipular pessoas• As chaves do Reino não devem ser interpretadas como ligar e desligar bençãos ou maldições espirituais sobre pessoas, empresas ou sistema político.• As chaves do Reino não devem ser interpretadas como técnica da famigerada teologia da “confissão positiva” ou “determinação”.
8. Por que Jesus ordenou que os Seus discípulos não dissessem a ninguém que Ele era o Cristo?
“Então, advertiu os discípulos de que a ninguém dissessem ser ele o Cristo.” - v. 20 (Almeida Revista e Atualizada).
Muitos judeus tinham um conceito político-nacionalista equivocado a respeito de Jesus. Eles esperavam um líder militar e político que exterminasse o Império Romano.
Jesus já conhecia a intenção deles:
“Sabendo, pois, Jesus que haviam de vir arrebatá-lo, para o fazerem rei, tornou a retirar-se, ele só, para o monte.” - João 6:15 (Almeida Revista e Corrigida).
O povo ainda não estava preparado para saber que Jesus era o Rei-Messias prometido nas Escrituras. Eles necessitavam da compreensão do perfeito sacrifício de Jesus Cristo na cruz.
Jesus os ensinava a enxergá-Lo pela ótica espiritual, como o Messias prometido (O Cordeiro de Deus) e não pela ótica carnal como um líder (libertador militar) para libertar Israel da opressão do Império Romano.
O povo não esperava um “Servo Sofredor” que terminaria Seu ministério terreno morto numa cruz, como um perverso criminoso. Os judeus esperavam um líder político temporal que conquistasse o trono terreno de Roma.
O povo não esperava um Libertador espiritual que seria um dia exposto diante da nação, pregado numa cruz com uma coroa de espinhos na cabeça.
A centralidade do ministério de Jesus é “Ele mesmo crucificado, morto e ressuscitado” e não um visível poder político. Até aos dias de hoje, o povo vive na expectativa de liberdade física e política, e não de liberdade espiritual “em Jesus Cristo”.
Jesus não queria que o povo se agitasse e desviasse o foco da redenção Nele. Se eles soubessem que Jesus era o Rei prometido, com certeza se agitariam numa revolta popular, para coroá-Lo rei.
Era necessário evitar que tivessem distorções políticas do messianismo. A hora da Sua morte na cruz ainda não havia chegado. Antes, Jesus precisava cumprir a “expiação vicária” pelos pecados do Seu povo.
Conclusão
O que nós podemos aprender com esta passagem bíblica?
• Esta mensagem enfatiza a soberania de Deus;• A necessidade de revelação espiritual;• A fé genuína não vem pela carne ou pelo sangue, mas revelação do Pai Celestial• Centralidade de Jesus Cristo;• É Jesus quem edifica a igreja;• A segurança da igreja “em Jesus Cristo”.• Jesus não foi apenas um profeta entre os homens. Jesus é o Filho do Deus vivo.• A igreja visível e invisível está edificada na soberania de Deus e na confissão do apóstolo Pedro: “Jesus Cristo, Filho do Deus vivo”.• A Igreja está edificada na confissão de Pedro e não na pessoa de Pedro.
Na confissão de Pedro, encontramos a revelação da segurança da Igreja contra o inferno e a missão de testemunhar diariamente Jesus Cristo em nossas vidas.
Rejeitamos o primado papal. A Rocha, a Pedra, é o próprio “Senhor Jesus Cristo”, ou “a confissão messiânica” feita por Pedro.
A Igreja é edificada sobre a pessoa poderosa e inabalável do “Deus-Homem” (Jesus Cristo); ou a confissão do “cascalho, pedrinha” Pedro.
A Igreja subsiste e triunfa por intermédio de Jesus Cristo, o nosso Arquiteto, Alicerce e Sustentador.
As chaves do Reino e o poder de ligar e desligar, não conferem poder mágico ao homem para desfrute de suas próprias vontades. As chaves do Reino pertencem a igreja de Cristo, exercidas no “ministério da pregação da Palavra de Deus” e “disciplina eclesiástica” para ordem e saúde da Comunidade.
O Evangelho da Graça nos despe de toda soberba intelectual e espiritual, nos conduzindo em humildade; diariamente confessando Jesus Cristo que é o dom da graça soberana concedida pelo Pai Celestial.
Em Cristo a nossa confiança é inabalável. Não precisamos temer as hostilidades do mundo secular.
Aplicação
1. Jesus é o Filho do Deus Vivo: Ele é o Senhor de nossas vidas?
2. Onde está firmada a nossa fé? Na tradição religiosa ou na revelação do Espírito Santo?
Religiosidade sem revelação da Pessoa de Cristo não salva.
3. No qual Jesus está fundamentada a nossa fé? Como enxergamos Cristo?
Jesus nos pergunta hoje. “quem dizeis que Eu sou?”
De que maneira você e eu enxergamos Cristo? Ver apenas o Jesus histórico não é suficiente. Ele é “[...] o Cristo, o Filho do Deus vivo.” - v. 16 (Almeida Revista e Atualizada).
• Ele é a Rocha da Sua salvação?• Ele é o Senhor absoluto de sua vida?• Sua fé está baseada na sua carne?• Nas suas opiniões?• Ou na revelação do Espírito?• Na revelação da Palavra de Deus?• Na revelação do perfeito sacrifício de Jesus Cristo?
O Jesus conhecido pela opinião pública não tem poder para salvar ou satisfazer a alma humana.
• O mundo enxerga Jesus apenas como um provedor de sonhos ou desejos das pessoas,• um “coach”,• um homem místico,• um profeta moralista.
Se a nossa confissão for a mesma do apóstolo Pedro, de que Jesus é o Messias, o Deus Vivo e único Salvador; significa que somos membros dessa igreja fundamentada sobre a Rocha, e que as portas do inferno não podem detê-la.
Nossa fé não pode estar baseada em opiniões populares, mas no “perfeito sacrifício de Jesus Cristo”.
A confissão de Pedro descortinou a revelação divina da identidade de Cristo.
Jesus é o Filho do Deus Vivo, o Senhor absoluto de todas as coisas. Ele governa cada átomo e cada detalhe do Universo, nada acontece fora do Seu divino plano soberano. Ele governa os reinos, a história e a vida de cada habitante do planeta, sem perder o controle.
Ele governa o Universo e todas as coisas pelo Seu poder. Todas as coisas foram criadas por Ele e para Ele.
Ele é o Filho unigênito do Pai, o Deus verdadeiro revelado em carne. Sua obra e Seu senhorio cumprem o pacto da redenção estabelecido ainda antes da fundação do mundo.
Jesus não deve ser visto apenas como um guia moral, mas o Rei soberano que governa o Universo e o coração de cada pessoa regenerada. Ele é a cabeça da Igreja.
A Igreja não governa a si mesma. Ela é regida pela autoridade suprema de Jesus. Sendo Ele completo, a Sua igreja se torna completa unida a Ele.
O cristão genuíno reconhece o senhorio de Cristo em sua vida. Sua própria vontade é submetida à perfeita vontade do Senhor Jesus.
Nós já morremos para o pecado e vivemos para Jesus Cristo. Devemos nos submeter à Sua Palavra. Tudo o que somos e temos pertence a Ele.
Não basta apenas levantar a mão e “aceitar Jesus como Salvador”. Toda a pessoa que recebeu um novo coração do Pai reconhece Jesus Cristo como o “Senhor absoluto” de todas as áreas da sua vida.
Somos preservados por Jesus, para perseverar em fé e obediência até o dia da Sua volta.
Ele é o “Senhor absoluto” de toda a criação e salvação de cada um daqueles que Ele recebeu do Pai na eternidade.
Devemos confessar diariamente a “sublimidade” e a “supremacia de Jesus Cristo” em nossas vidas.
O apóstolo Paulo disse que considerava todas as coisas como perda diante da “sublimidade de Jesus Cristo”. Todas as coisas consideradas valiosas para o mundo perdem o sentido diante Dele.
Toda a plenitude divina está Nele. Ele é o Sustentador de todas as coisas. Ele é o resplendor da glória de Deus. Ele é suficiente em Si mesmo e Senhor sobre todas as coisas. Todo Joelho se dobrará diante da Sua Presença.
Oração: Amado Pai Celestial, Pai das Luzes. Deus de amor, graça, misericórdia e de revelação.Somos gratos pelo Teu Espírito soberano que ilumina diariamente a nossa mente.Te louvamos, com o coração transbordando em adoração e gratidão, por ter aberto os nossos olhos e entendimento, revelando-nos a pessoa de nosso Senhor Jesus Cristo, nosso único Salvador, fundamento da Igreja.Somos gratos por ter nos firmado na Tua Verdade e não em homens. Somos gratos pela ousadia, para anunciarmos o Evangelho da Graça com intrepidez.Somos gratos por ter aberto o nosso entendimento para seguirmos a sã doutrina e rejeitarmos veementemente às falsas doutrinas.Somos gratos pela promessa de que as portas do inferno não podem prevalecer contra a Tua Igreja.Perdoa-nos, Pai, pelo nosso egoísmo em priorizar os nossos interesses, em detrimento do Teu Reino.Capacita-nos a levarmos diariamente o morrer de Jesus no nosso corpo, para que a vida de Jesus se manifeste em nosso corpo.Capacita-nos a vivermos como sal e luz nesta terra.Revela-nos mais e mais da Tua Verdade em nossos corações.Capacita-nos a viver sob o senhorio de Jesus Cristo, tomando diariamente a nossa cruz e seguindo-O. Nosso único Salvador, Mestre, nosso tudo.Edifica-nos e usa-nos para a Tua glória.Em nome de Jesus Cristo, nosso Senhor, Amém!
Graça e Paz!
Josnei Borges dos Santos
