Obs: Todos os subginhados, grifos em negrito nos textos bíblicos são meus.
Por: Josnei Borges dos SantosTexto base: Romanos 3:25-26“25 Deus o ofereceu como sacrifício para propiciação por meio da fé, pelo seu sangue, proclamando a evidência da sua justiça. Por sua misericórdia, havia deixado impunes os pecados anteriormente cometidos;26 mas, no presente, demonstrou a sua justiça, a fim de ser justo e justificador daquele que deposita toda a sua fé em Jesus.” - Romanos 3:25-26 (Bíblia King James Atualizada).
3. Jesus morreu para vindicar a santa e justa justiça de Deus
Antes do benefício concedido aos seres humanos, eleitos antes da fundação do mundo; o foco central do sacrifício de Jesus Cristo é o próprio Deus, para satisfazer Sua própria justiça, santidade e glória.
Paul Washer comenta que Deus levantou Jesus numa cruz para revelar aos homens e anjos algumas verdades sobre Si mesmo.
“UMA APRESENTAÇÃO PÚBLICARomanos 3.25 nos diz que Deus “propôs” ou “apresentou publicamente” seu filho como uma propiciação. A palavra “propôs” vem do grego protíthemai, que significa apresentar para ser exposto ao público. Na cruz do calvário, Deus pendurou seu Filho em um outdoor. Naquele preciso momento da história, ele o ergueu no madeiro na encruzilhada do centro religioso do mundo para que todos pudessem ver¹.” (WASHER, Paul) (1)
Tanto o Antigo como o Novo Testamento testificam que Deus é justo.
“Ele é a nossa Rocha, suas obras são todas perfeitas, e seus caminhos todos, justos. Deus é fiel, e jamais comete erros. Deus é bom, sábio e justo!” - Deuteronômio 32:4 (Bíblia King James Atualizada).
“Do princípio ao fim, as Escrituras testificam que Deus é um Deus justo, que todas as suas obras são perfeitas e todos os seus caminhos são justos. Por que, então, Deus deve demonstrar publicamente tanto a homens como a anjos que ele é justo? O que ele fez para que sua justiça fosse posta em jogo a ponto de ter que explicar seus caminhos ou vindicar a si mesmo? O apóstolo Paulo explica que era necessário que Deus, de uma vez por todas, vindicasse sua justiça e demonstrasse a sua integridade por ter, “na sua tolerância, deixado impunes os pecados anteriormente cometidos”⁶. Em outras palavras, Deus considerou necessário provar sua integridade aos homens e aos anjos porque ao longo da história humana ele conteve seu julgamento de pecadores e concedeu perdão para homens ímpios. Embora seja uma boa notícia para um homem pecador, isso traz à tona o maior problema moral e teológico das Escrituras: como pode um Deus ser justo e ao mesmo tempo restringir o seu julgamento e oferecer perdão àqueles que devem ser condenados? Como Deus pode ser justo e ainda justificar pessoas ímpias?” (WASHER, Paul) (2)
Como pode Deus ser um Juiz justo perdoando os crimes de pessoas culpadas?
“O que justifica o perverso e o que condena o justo abomináveis são para o Senhor, tanto um como o outro.” - Provérbios 17:15 (Almeida Revista e Atualizada).
Na Nova Tradução na Linguagem de Hoje diz: “Há duas coisas que o Senhor Deus detesta: que o inocente seja condenado e que o culpado seja declarado inocente.” - Provérbios 17:15.
Deus abomina autoridades terrenas que absolvem pessoas culpadas.
“Longe de ti fazer tal coisa: matar o justo com o ímpio, tratando o justo e o ímpio da mesma maneira. Longe de ti! Não agirá com justiça o Juiz de toda a terra?” - Gênesis 18:25 (Nova Versão Internacional).
O que nós sentiríamos se um criminoso que foi pego em flagrante fosse absolvido por um juiz no tribunal terreno? Qual seria a nossa reação ao ouvir o pronunciamento do Juiz?
- “Eu sou um juiz que só ajo em amor, misericórdia, graça e compaixão. Baseado em meus sentimentos, fulano de tal está absolvido.”
Você e eu concordaríamos que a justiça foi feita?
Com certeza não.
Fundamentados na Palavra de Deus, que nos revela um Juiz justo e santo, regendo leis em todo o Universo, nós condenamos toda a corrupção que possa haver no sistema judiciário terreno.
Com certeza iriamos recorrer contra a decisão do juiz em questão. Com assistência jurídica iriamos apelar para que um tribunal de segunda instância reanalisasse o caso.
Com certeza ficaríamos indignados e taxaríamos tal juiz de criminoso e corrupto.
Se esperamos que os juízes terrenos condenem os criminosos, não devemos esperar menos rigor do Juiz do Universo em Seus julgamentos.
Então nos deparamos novamente com a pergunta: - “Como Deus pode justificar (declarar inocente) o culpado e ainda permanecer santo e justo?”
3.1. O rei Davi
Imaginemos a absolvição de Davi que cometeu adultério com Bate-Seba e planejou a morte de seu fiel soldado Urias. Ele agiu friamente, de um jeito cruel e maquiavélico, na tentativa de acobertar o seu próprio erro.
Davi cometeu pecado de adultério e homicídio de forma premeditada, abusando de sua autoridade real para acobertar o seu ato vergonhoso, cruel e covarde.
“1 Decorrido um ano, no tempo em que os reis costumam sair para a guerra, Davi enviou Joabe, seus oficiais e todo o Israel. Eles destruíram os filhos de Amom e sitiaram a cidade de Rabá. Mas Davi ficou em Jerusalém.
2 Uma tarde, Davi se levantou do seu leito e andava passeando no terraço do palácio real. Dali viu uma mulher que estava tomando banho; ela era muito bonita.
3 Davi mandou perguntar quem era. Disseram-lhe: — É Bate-Seba, filha de Eliã e mulher de Urias, o heteu.
4 Então Davi mandou mensageiros que a trouxessem; ela veio, e ele se deitou com ela. Ora, Bate-Seba tinha acabado de se purificar da impureza da menstruação. Depois, ela voltou para casa.
5 A mulher concebeu e mandou dizer a Davi: — Estou grávida.” - 2 Samuel 11:1-5 (Nova Almeida Atualizada).
Na tentativa de corrigir o seu erro, o rei Davi maquinou um plano para que o fiel soldado Urias (marido de Bate-Seba) fosse morto. O rei agiu com falsidade e traição contra uma pessoa que sempre o protegia com lealdade.
“6 Então Davi enviou mensageiros a Joabe, dizendo: — Mande-me Urias, o heteu. E Joabe mandou Urias a Davi.
7 Quando Urias chegou, Davi perguntou como estava Joabe, como se achava o povo e como ia a guerra.
8 Depois, Davi disse a Urias: — Vá para casa e descanse. Urias saiu do palácio real, e logo saiu atrás dele um presente do rei.
9 Porém Urias dormiu junto ao portão do palácio, com todos os servos do seu senhor, e não foi para casa.
10 Relataram isso a Davi, dizendo: — Urias não foi para casa. Então Davi disse a Urias: — Você não vem de uma viagem? Por que não foi para casa?
11 Urias respondeu: — A arca, Israel e Judá ficam em tendas. Joabe, meu senhor, e os servos de meu senhor estão acampados ao ar livre. Como poderia eu ir para casa, comer e beber e me deitar com a minha mulher? Juro pela vida do rei que não faria tal coisa.
12 Então Davi disse a Urias: — Fique aqui ainda hoje. Amanhã eu o mandarei de volta. E Urias ficou em Jerusalém aquele dia e o seguinte.
13 Davi o convidou para comer e beber com ele, e o embebedou. À tarde, Urias saiu e foi deitar-se no seu leito, na companhia dos servos de seu senhor. Ele não foi para casa.” - 2 Samuel 11:6-13 (Nova Almeida Atualizada).
Na tentativa de encobrir a gravidez de Bate-Seba Davi enviou o marido dela para a morte. O rei ordenou que o seu leal soldado fosse abandonado na linha de batalha para morrer. Ele planejou a morte de Urias enviando uma carta a Joabe.
“14 Pela manhã, Davi escreveu uma carta a Joabe e a mandou por Urias.
15 Na carta escreveu o seguinte: "Ponham Urias na linha de frente, onde o combate for mais intenso. Depois deixem-no sozinho, para que seja ferido e morra."” - 2 Samuel 11:14-15 (Nova Almeida Atualizada).
Davi então foi repreendido pelo profeta Natã que o confrontou com a parábola da ovelhinha.
“# Natã repreende Davi
1 O Senhor enviou Natã a Davi. Natã foi falar com Davi e lhe disse: — Havia numa cidade dois homens, um rico e outro pobre.
2 O rico tinha ovelhas e gado em grande número,
3 mas o pobre não tinha coisa nenhuma, a não ser uma cordeirinha que havia comprado. Ele a criou, e ela cresceu em sua casa, junto com os seus filhos. Comia da sua comida e bebia do seu copo. Dormia nos seus braços, e ele a tinha como filha.
4 Certo dia chegou um viajante à casa do homem rico, e este não quis pegar uma das suas ovelhas ou um dos seus bois para dar de comer ao visitante que havia chegado; em vez disso, pegou a cordeirinha do homem pobre e a preparou para o homem que havia chegado.
5 Então o furor de Davi se acendeu contra aquele homem, e ele disse a Natã: — Tão certo como vive o Senhor, o homem que fez isso deve ser morto.
6 E pela cordeirinha restituirá quatro vezes, porque fez uma coisa dessas e porque não se compadeceu.
7 Então Natã disse a Davi: — Esse homem é você. Assim diz o Senhor, o Deus de Israel: "Eu o ungi rei sobre Israel e eu o livrei das mãos de Saul.
8 Eu lhe dei a casa de seu senhor e as mulheres de seu senhor em seus braços. Também lhe dei a casa de Israel e de Judá. E, se isto fosse pouco, eu teria acrescentado tais e tais coisas.
9 Por que, então, você desprezou a palavra do Senhor, fazendo o que era mau aos olhos dele? Com a espada você matou Urias, o heteu. Você tomou por esposa a mulher dele, depois de o matar com a espada dos filhos de Amom.” - 2 Samuel 12:1-9 (Nova Almeida Atualizada).
Davi recebeu a sentença das consequências sem questionar.
“Agora, pois, a espada jamais se afastará da sua casa, porque você me desprezou e tomou a mulher de Urias, o heteu, para ser sua mulher.” - 2 Samuel 12:10 (Nova Almeida Atualizada).
Davi confessou imediatamente o seu pecado. Diferente de Saul, ele não tentou justificar as suas iniquidades.
“Então Davi disse a Natã: — Pequei contra o Senhor. E Natã respondeu: — Também o Senhor perdoou o seu pecado; você não morrerá.” - 2 Samuel 12:13 (Nova Almeida Atualizada).
O próprio Davi reconheceu que o Seu pecado era digno de morte.
“5 Então o furor de Davi se acendeu contra aquele homem, e ele disse a Natã: — Tão certo como vive o Senhor, o homem que fez isso deve ser morto.
7 Então Natã disse a Davi: — Esse homem é você. [...].” - 2 Samuel 12:5, 7 (Nova Almeida Atualizada).
A Lei Mosaica determinava pena de morte por apedrejamento para ambos os adúlteros.
“Se um homem adulterar com a mulher do seu próximo, será morto o adúltero e a adúltera.” - Levítico 20:10 (Almeida Revista e Atualizada).
“Se um homem for encontrado deitado com uma mulher que tem marido, ambos devem ser mortos, o homem que se deitou com a mulher e a mulher. Assim vocês eliminarão o mal de Israel.” - Deuteronômio 22:22 (Nova Almeida Atualizada).
O homicídio doloso exigia pena capital do culpado.
“Quem matar alguém será morto.” - Levítico 24:17 (Almeida Revista e Atualizada).
As Leis a respeito da violência de morte eram bem claras em Israel.
“Quem ferir um homem, de modo que este venha a morrer, também será morto.” – Êxodo 21:12 (Nova Almeida Atualizada).
O pecado de Davi era grave. Ele deveria ser punido sem direito a resgate.
“Não aceitem resgate pela vida do homicida que é culpado de morte; ele deve ser morto.” - Números 35:31 (Nova Almeida Atualizada).
Davi era rei de um governo teocrático, por isso, como magistrado supremo na terra não foi julgado por juízes terrenos, já que não havia tribunal humano em Israel para julgá-lo. Davi confessou seu horrendo pecado ao profeta Natã.
“7 Então Natã disse a Davi: — Esse homem é você. Assim diz o Senhor, o Deus de Israel: "Eu o ungi rei sobre Israel e eu o livrei das mãos de Saul.
13 Então Davi disse a Natã: — Pequei contra o Senhor. E Natã respondeu: — Também o Senhor perdoou o seu pecado; você não morrerá.” – 2 Samuel 12:7, 13 (Nova Almeida Atualizada).
Deus perdoou Davi, poupando-lhe a vida. Mas, apesar de ser uma autoridade terrena, Davi não estava acima da lei divina que exigia pena capital.
O Salmo 51 expressa o arrependimento de Davi.
“1 Tem misericórdia de mim, ó Deus, segundo a tua benignidade; apaga as minhas transgressões, segundo a multidão das tuas misericórdias.
2 Lava-me completamente da minha iniqüidade, e purifica-me do meu pecado.
3 Porque eu conheço as minhas transgressões, e o meu pecado está sempre diante de mim.
4 Contra ti, contra ti somente pequei, e fiz o que é mal à tua vista, para que sejas justificado quando falares, e puro quando julgares.” - Salmo 51:1-4 (Almeida Corrigida Fiel).
Embora punindo Davi com consequências físicas e familiares terríveis, Deus exerceu Sua soberania para perdoá-lo, livrando-o da morte física.
Deus tinha planos na preservação da vida do rei Davi, visto que a linhagem do Redentor prometido (Jesus Cristo) viria dos descendentes de Davi.
Novamente surgem perguntas:
- “Se o pecado de homicídio e adultério exigia a morte do culpado; por que Davi não foi morto imediatamente?”
- “Isso não parece uma contradição?”
- “Como foi possível Deus agir assim sem violar ou comprometer a Sua justiça e santidade?”
- “Por que Davi não recebeu a justa condenação civil e terrena de forma imediata?”
- “A Lei de Moisés não exigia que o pecado de adultério e homicídio fosse punido com morte física?”
O apóstolo Paulo diz que, na Sua tolerância, Deus deixou impunes os pecados cometidos anteriormente.
Novamente nos deparamos com as perguntas:
– “Por que Deus não matou Davi?”
- “Em que base legal jurídica Ele estava amparado para perdoar Davi?”
3.2. O rei Manassés
O rei Manassés que reinou por 55 anos, foi um dos reis mais ímpios e perversos de Judá. Ele chafurdou no lamaçal da degradação moral, crueldade, atrocidade, impiedade, idolatria e sincretismo extremo.
“O reinado de Manassés, de Judá
1 Manassés tinha doze anos de idade quando começou a reinar e reinou cinquenta e cinco anos em Jerusalém.
2 Fez o que era mau aos olhos do Senhor, segundo as coisas abomináveis das nações que o Senhor havia expulsado de diante dos filhos de Israel.
3 Pois reconstruiu os lugares altos que Ezequias, seu pai, havia derrubado, levantou altares aos baalins, fez postes da deusa Aserá, prostrou-se diante de todo o exército dos céus e o serviu.
4 Edificou altares na Casa do Senhor, a respeito da qual o Senhor tinha dito: "Em Jerusalém porei o meu nome para sempre."
5 Também edificou altares a todo o exército dos céus nos dois átrios da Casa do Senhor.” - 2 Crônicas 33:1-5 (Nova Almeida Atualizada).
Manassés desceu ladeira abaixo na banguela. Precipitou-se no despenhadeiro do pecado com o pé no fundo do acelerador do pecado; acelerando e caindo cada vez mais em suas crueldades, derramando muito sangue inocente em Jerusalém.
“Além disso, Manassés derramou muitíssimo sangue inocente, até encher Jerusalém de um extremo ao outro, sem falar do seu pecado, com que levou Judá a pecar, praticando o que era mau aos olhos do Senhor.” - 2 Reis 21:16 (Nova Almeida Atualizada).
Manassés consultou adivinhos, afundando-se cada vez mais no pecado, chegando ao extremo de sacrificar os próprios filhos no fogo no Vale do Filho de Hinom.
“Ele queimou os seus filhos em sacrifício no vale de Ben-Hinom, adivinhava pelas nuvens, era agoureiro, praticava feitiçarias e tratava com médiuns e feiticeiros. Fazia continuamente o que era mau aos olhos do Senhor, para o provocar à ira.” - 2 Crônicas 33:6 (Nova Almeida Atualizada).
Mergulhou de cabeça na idolatria e feitiçaria, reconstruiu altares pagãos, colocou ídolos dentro do templo em Jerusalém e adorou todo o exército dos céus.
“7 Também pôs a imagem de escultura do ídolo que tinha feito na Casa de Deus, a respeito da qual Deus tinha dito a Davi e a seu filho Salomão: "Neste templo e em Jerusalém, que escolhi de todas as tribos de Israel, porei o meu nome para sempre.
8 E não removerei mais o pé de Israel da terra que destinei aos seus pais, desde que eles tenham o cuidado de fazer tudo o que lhes tenho mandado, conforme toda a lei, os estatutos e os juízos dados por meio de Moisés."
9 Manassés de tal modo levou o povo de Judá e os moradores de Jerusalém a andarem errantes, que fizeram pior do que as nações que o Senhor tinha destruído de diante dos filhos de Israel.” - 2 Crônicas 33:7-9 (Nova Almeida Atualizada).
Em Sua soberania Deus permitiu que os capitães do exército da Assíria prendessem Manassés e o levassem acorrentado com correntes de bronze para a Babilônia.
“10 O Senhor falou a Manassés e ao seu povo, porém não lhe deram ouvidos.
11 Por isso o Senhor trouxe sobre eles os comandantes do exército do rei da Assíria, que prenderam Manassés com ganchos, amarraram-no com correntes e o levaram para a Babilônia.” - 2 Crônicas 33:10-11 (Nova Almeida Atualizada).
O texto bíblico diz que foi o Senhor Quem trouxe os comandantes do exército do rei da Assíria para prenderem Manassés. “[...] o Senhor trouxe [...].” - v. 11 (Nova Almeida Atualizada).
Em extrema angústia, o rei Manassés se humilhou clamando fervorosamente a Deus por graça e misericórdia.
“Ele, angustiado, suplicou ao Senhor, seu Deus, e muito se humilhou diante do Deus de seus pais.” - 2 Crônicas 33:12 (Nova Almeida Atualizada).
O Senhor ouviu a oração de Manassés, que foi agraciado com a misericórdia em sua angústia e humilhação.
“Orou ao Senhor, e o Senhor se tornou favorável para com ele, atendeu-lhe a súplica e o fez voltar para Jerusalém, ao seu reino. Então Manassés reconheceu que o Senhor é Deus.” - 2 Crônicas 33:13 (Nova Almeida Atualizada).
Mesmo Manassés tendo cometido diversos crimes, Deus ouviu sua súplica quando foi preso. E qual foi o resultado?
Deus o perdoou.
Então surge novamente a pergunta: “Será que Deus varreu os pecados de Manassés para debaixo do tapete?”
3.3. Os ninivitas
Os moradores da cidade de Nínive eram extremamente violentos e idólatras. A fama de crueldade deles se alastrava pela forma brutal que tratavam o povo vencido por eles em horrendos espetáculos públicos. As práticas de atrocidades eram sem limites. Se utilizavam de terror psicológico para intimidar as outras nações, para se manterem no poder através da ameaça e do medo.
“1 Ai da cidade sanguinária, toda cheia de mentiras e de roubo e que não solta a sua presa!
2 Eis o estalo dos açoites, o estrondo das rodas, o galope dos cavalos e os carros que vão saltando!
3 Os cavaleiros que esporeiam, as espadas brilhantes, as lanças reluzentes, uma multidão de feridos, massa de cadáveres, mortos sem fim — chegam a tropeçar sobre os mortos.
4 Tudo isso por causa da grande prostituição da bela e encantadora prostituta, da mestra de feitiçarias, que seduzia as nações com a sua prostituição e os povos, com as suas feitiçarias.” - Naum 3:1-4 (Nova Almeida Atualizada).
Jonas percorreu a cidade de Nínive pregando a mensagem de arrependimento a contragosto.
“Jonas começou a percorrer a cidade caminho de um dia, e pregava, dizendo:
— Ainda quarenta dias, e Nínive será destruída.” - Jonas 3:4 (Nova Almeida Atualizada).
Quando os ninivitas ouviram a pregação do profeta Jonas se humilharam à Deus. A pregação do profeta resultou numa conversão em massa.
“Os ninivitas creram em Deus. Proclamaram um jejum e vestiram roupa feita de pano de saco, desde o maior até o menor.” - Jonas 3:5 (Nova Almeida Atualizada).
O rei de Nínive se humilhou.
“6 Quando esta notícia chegou ao rei de Nínive, ele se levantou do seu trono, tirou os trajes reais, cobriu-se de pano de saco e sentou-se sobre cinzas.
7 E mandou proclamar e divulgar em Nínive o seguinte:
— Por mandado do rei e dos seus nobres, ninguém — nem mesmo os animais, bois e ovelhas — pode comer coisa alguma; não lhes deem pasto, nem deixem que bebam água.
8 Todos devem ser cobertos de pano de saco, tanto as pessoas como os animais. Então clamarão fortemente a Deus e se converterão, cada um do seu mau caminho e da violência que há nas suas mãos.
9 Quem sabe? Talvez Deus se volte e mude de ideia, e então se afaste do furor da sua ira, para que não pereçamos.” - Jonas 3:6-9 (Nova Almeida Atualizada).
Deus não mudou de opinião como imaginam algumas pessoas. “Quem sabe? Talvez Deus se volte e mude de ideia, [...].” - v. 9 (Nova Almeida Atualizada).
Este texto do livro do profeta Jonas usa uma linguagem figurada antropomórfica para descrever a milagrosa mudança de atitude dos ninivitas e não o plano eterno do Deus soberano. Seu caráter e Seus planos são fixos.
“Porque eu, o Senhor, não mudo; por isso, vocês, filhos de Jacó, não foram destruídos.” - Malaquias 3:6 (Nova Almeida Atualizada).
Deus é imutável e jamais comete erros. Não existe surpresas e nem plano B em Suas ações. Os Seus decretos são eternos.
“Deus não é homem, para que minta; nem filho de homem, para que se arrependa; porventura, diria ele e não o faria? Ou falaria e não o confirmaria?” - Números 23:19 (Almeida Revista e Corrigida).
Deus é perfeito e jamais muda a Sua mentalidade, opinião, planos ou vontade.
“Toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança, nem sombra de variação.” - Tiago 1:17 (Almeida Revista e Corrigida).
Embora haja textos na Bíblia que dão a entender que Deus muda os Seus planos, entendemos em todo o contexto bíblico que Deus é eternamente perfeito em Sua essência e que os Seus decretos não mudam jamais.
Em Sua soberania, misericórdia e graça Deus manifestou compaixão aos ninivitas.
“Deus viu o que fizeram, como se converteram do seu mau caminho; e Deus mudou de ideia quanto ao mal que tinha dito que lhes faria e não o fez.” - Jonas 3:10 (Nova Almeida Atualizada).
Jonas acreditava que os pecados dos ninivitas ficaram impunes. Ele almejava juízo imediato sobre o povo que friamente oprimia Israel. Ansiava que a dívida de pecado fosse aplicada imediatamente.
“# A raiva de Jonas e a misericórdia de Deus
1 Mas Jonas ficou muito aborrecido e com raiva.
2 Ele orou ao Senhor e disse:
— Ah! Senhor! Não foi isso que eu disse, estando ainda na minha terra? Por isso, me adiantei, fugindo para Társis, pois sabia que tu és Deus bondoso e compassivo, tardio em irar-se e grande em misericórdia, e que mudas de ideia quanto ao mal que anunciaste.
5 Então Jonas saiu da cidade e sentou-se num lugar a leste da mesma. Ali construiu um abrigo, sentou-se na sombra, para ver o que aconteceria com a cidade.” - Jonas 4:1-2, 5
Mais uma vez surge a pergunta: - “Em que base jurídica Deus perdoou os ninivitas?”
3.4. Raabe
Raabe era uma mulher cananeia, pagã e prostituta em Jericó, que vivia debaixo da condenação de morte por causa da iniquidade e idolatria de si mesma e da cidade. Ela pertencia a um povo que era inimigo do povo de Deus.
“Da localidade de Sitim, Josué, filho de Num, enviou secretamente dois espias, dizendo: — Vão e observem a terra e a cidade de Jericó. Eles foram e entraram na casa de uma mulher prostituta, cujo nome era Raabe, e pousaram ali.” - Josué 2:1 (Nova Almeida Atualizada).
Deus preservou a vida de Raabe e de sua família durante a queda de Jericó.
“17 Os homens lhe disseram: — Estaremos desobrigados deste seu juramento que você nos fez jurar,
18 se, quando entrarmos nesta terra, você não amarrar este cordão de fio de escarlate na janela por onde você nos fez descer; e se você não reunir em sua casa o seu pai, a sua mãe, os seus irmãos e toda a família de seu pai.
19 Quem sair para fora da porta da casa será responsável pelo que lhe acontecer, e nós seremos inocentes; mas, se alguém puser a mão em alguém que estiver com você dentro de casa, nós seremos responsáveis.” - Josué 2:17-19 (Nova Almeida Atualizada).
Essa mulher foi agraciada pela misericórdia de Deus, sendo salva da morte física e perdoada mediante a fé.
“22 Então Josué disse aos dois homens que espiaram a terra: — Entrem na casa da prostituta e tirem-na de lá com tudo o que ela tiver, como vocês juraram a ela.
23 Então os jovens, os espias, entraram e tiraram Raabe, o seu pai, a sua mãe, os seus irmãos e tudo o que ela possuía. Tiraram também toda a sua parentela e os acamparam fora do arraial de Israel.
24 Porém queimaram a cidade e tudo o que havia nela; tão somente a prata, o ouro e os utensílios de bronze e de ferro deram para o tesouro da Casa do Senhor.
25 Mas Josué conservou com vida a prostituta Raabe, a casa de seu pai e tudo o que ela possuía. E Raabe ficou morando no meio de Israel até o dia de hoje, porque escondeu os mensageiros que Josué tinha enviado para espiar Jericó.” - Josué 6:22-25 (Nova Almeida Atualizada).
Ficou registrado o testemunho de Raabe na galeria dos heróis da fé.
“Pela fé, Raabe, a meretriz, não foi destruída com os desobedientes, porque acolheu com paz aos espias.” - Hebreus 11:31 (Almeida Revista e Atualizada).
Essa mulher foi perdoada e foi integrada à linhagem do Messias.
Raabe foi incluída na genealogia de Jesus Cristo.
“Salmom gerou Boaz, cuja mãe foi Raabe; Boaz gerou Obede, cuja mãe foi Rute; e Obede gerou Jessé.” - Mateus 1:5 (Nova Almeida Atualizada).
3.5. O ladrão na cruz
A Bíblia não menciona com detalhes os crimes civis do ladrão convertido no momento da crucificação de Jesus. Apenas cita que ele era salteador. Provavelmente ele era um bandido violento ou um rebelado contra o governo de Roma, que foi condenado à pena capital de crucificação.
A Bíblia relata que dois malfeitores foram levados para serem crucificados.
“32 E também eram levados outros dois, que eram malfeitores, para serem executados com ele.
33 Quando chegaram ao lugar chamado Calvário, ali o crucificaram, bem como aos malfeitores, um à direita, outro à esquerda.” - Lucas 23:32-33 (Almeida Revista e Atualizada).
O registro bíblico realça a zombaria inicial de um dos bandidos e a reprimenda e confissão de culpa do outro.
Um dos ladrões confessou sua culpa e que a justiça de sua punição era justa. Sua confissão evidencia que provavelmente se tratava de um criminoso de alta periculosidade.
“39 Um dos malfeitores crucificados blasfemava contra ele, dizendo: Não és tu o Cristo? Salva-te a ti mesmo e a nós também.
40 Respondendo-lhe, porém, o outro, repreendeu-o, dizendo: Nem ao menos temes a Deus, estando sob igual sentença?
41 Nós, na verdade, com justiça, porque recebemos o castigo que os nossos atos merecem; mas este nenhum mal fez.” - Lucas 23:39-41 (Almeida Revista e Atualizada).
Novamente estamos diante de um suposto paradoxo. Pode um Deus santo trazer pessoas que vivem atoladas no lamaçal de pecados para ter comunhão com Ele sem macular Sua santidade?
O texto bíblico diz que justificar o perverso é abominação para o Senhor.
Para solucionar esse o problema já ouvi pessoas dizendo: – “Se Deus resolveu perdoar e esquecer o crime; quem somos nós para questionar? Ele é Deus soberano! Ele faz o que quer e não deve satisfação a ninguém!”
Porém, não é assim que funciona a justiça de Deus. Se Ele varresse a sujeira para debaixo do tapete estaria cometendo injustiça contra Si mesmo, maculando Sua glória. Ele estaria sendo injusto contra a sua própria criação.
A Bíblia responde a Bíblia, e não o que nós entendemos como verdade. Textos bíblicos comprovam que Deus não pode ser injusto nos julgamentos.
“Na verdade, Deus não procede maliciosamente; nem o Todo-Poderoso perverte o juízo.” - Jó 34:12 (Almeida Revista e Atualizada).
Compartilhei aqui, exemplos de homens cruéis. Pessoas que cometeram pecados terríveis, mas que foram alcançados pela graça divina. Eles se voltaram para Deus clamando por misericórdia, sendo perdoados das maldades cometidas.
Mas como Deus pode ser justo, santo e amoroso ao mesmo tempo?
É possível Deus desconsiderar a Sua própria santidade e justiça apenas baseado em Seu amor?
Na sequência deste estudo, compartilharei que o amor, justiça e misericórdia de Deus se revelaram no perfeito sacrifício de Jesus Cristo. O sacrifício perfeito do Filho de Deus visou primariamente resolver o problema legal do Pai Celestial.
Oração: Eterno Deus e Pai, Todo Poderoso, Criador de todo o Universo. Reconhecemos que Tu és um Deus justo, Santo que merece todo o nosso louvor e adoração. Também reconhecemos que a cruz de Cristo é prova de que nenhum pecado passa impune diante de Tua Justiça. O Teu padrão de justiça, santidade e amor não pode jamais tolerar o pecado. Reconhecemos nossa depravação humana e que jamais poderíamos ser justificados por nossas obras, perseverança ou obediência. Somos gratos por Jesus Cristo, que é a nossa propiciação, pelo Seu precioso sangue derramado na cruz do Calvário. Toda a nossa dívida de pecado foi plenamente satisfeita, paga em Jesus Cristo, o nosso substituto. Tu és o nosso Deus justo e justificador ao mesmo tempo. Em nome de Jesus Cristo te agradecemos pelo plano perfeito de redenção.
Amém!
Continua ...
Josnei Borges dos Santos
Parte 5 → Jesus não morreu apenas pelo homem, mas para vindicar, satisfazer e glorificar a santa e justa justiça de Deus - Quinta Parte: Como pode um Juiz justo e santo absolver o culpado e ainda permanecer justo e santo?
Referências bibliográficas:
(1) WASHER, Paul. O Poder do Evangelho e sua Mensagem. 1. ed. São José dos Campos: Editora Fiel. 2013. p. 182.
(2) WASHER, Paul. O Poder do Evangelho e sua Mensagem. 1. ed. São José dos Campos: Editora Fiel. 2013. p. 183.