
Texto base: Efésios 2:1-3.
"1 E vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados,2 em que, noutro tempo, andastes, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que, agora, opera nos filhos da desobediência;3 entre os quais todos nós também, antes, andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como os outros também." - Efésios 2:1-3 (Almeida Revista e Corrigida).
O homem não regenerado é um cadáver ambulante. Ele está morto pelo efeito da queda dos nossos primeiros pais no Jardim do Éden. "... estando vós mortos..."
● O morto espiritual não tem sede pela Água da Vida;● não sente fome pelo pão da vida,● não sente necessidade de comunhão;● não ama a Palavra de Deus;● não entende a mensagem da cruz;● não manifesta nenhum movimento em direção a Deus;● não tem nenhum apetite pelas coisas do alto.
Todo ser humano já nasce morto em pecados, desesperadamente necessitado da graça de Deus.
"Em verdade, em verdade vos digo que vem a hora, e agora é, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus, e os que a ouvirem viverão." - João 5:25 (Almeida Revista e Corrigida).
O pastor Hernandes Dias Lopes enfatiza que a única solução para o morto em pecados é o nascimento do alto.
“É importante ressaltar que o incrédulo não está apenas doente; ele está morto. Ele não necessita apenas de restauração, mas de ressurreição.¹⁰⁸ Não basta uma reforma; ele precisa nascer de novo. O mundo é um grande cemitério cheio de pessoas mortas espiritualmente. Embora elas estejam vivas fisicamente, estão desprovidas de vida espiritual. Embora estejam em plena atividade mental, estão completamente mortas espiritualmente.” (1)
Sem a graça divina o homem é impotente para agradar a Deus. O mesmo Deus que exige que as obras sejam feitas em amor é onisciente e vê até mesmo as intenções do coração.
"... o Senhor não vê como vê o homem. Pois o homem vê o que está diante dos olhos, porém o Senhor olha para o coração." - 1 Samuel 16:7 (Almeida Revista e Corrigida).
Sabemos que as obras do homem não regenerado estão condenadas diante de Deus, pois tudo o que não procede de fé é pecado.
"... tudo o que não provém de fé é pecado." - Romanos 14:23 (Nova Almeida Atualizada).
"...sem fé é impossível agradar-lhe..." - Hebreus 11:6 (Almeida Revista e Corrigida).
O coração não regenerado está impossibilitado de exaltar Cristo em suas obras. É totalmente incapaz de servir em amor. Não existe amor fora de Cristo. "Que tudo o que vocês fizerem seja feito com amor." - 2 Coríntios 16:14 (Nova Tradução na Linguagem de Hoje).
O homem caído em Adão não perdeu a imagem de Deus. Ele conserva em si a informação divina que não deve matar, roubar, adulterar, se embriagar... muitos incrédulos praticam obras sociais maravilhosas em benefício da sociedade, porém esses atos de bondade perante o mundo não redundam para a glória de Deus. Somente uma pessoa nascida de novo está habilitada pela graça divina a produzir boas obras que realmente glorificam a Deus.
"Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para a glória de Deus." - 1 Coríntios 10:31 (Almeida Revista e Corrigida).
Concordo com o comentário do pastor Hernandes Dias Lopes que diz:
“[...] o homem está morto (2.1). “Ele vos deu vida, estando vós mortos nas vossas transgressões e pecados.” Antes de argumentar o sentido dessa morte espiritual, deixe-me explicar o que ela não é. Ela não quer dizer que o homem que está morto em seus pecados não possa fazer coisas boas. O indivíduo não regenerado pode levar uma vida moralmente aprovada, civilmente decente e familiarmente responsável. Uma pessoa não regenerada pode ser um bom cidadão, um bom pai, uma boa mãe, um bom filho. Os pecadores podem fazer o bem àqueles que lhes fazem bem (Lc 6.33). Às vezes, os bárbaros revelam “muita bondade” (At 28.2). Portanto, o que quer dizer a expressão “Mortos nas vossas transgressões e pecados”? É claro que Paulo está falando de uma morte espiritual. Antes de Cristo, o homem está vivo para as atrações do pecado, mas morto para Deus. O homem é incapaz de entender e apreciar as coisas espirituais. Ele não possui vida espiritual nem pode fazer nada que possa agradar a Deus. Da mesma maneira que a pessoa morta fisicamente não responde a estímulos físicos, também a pessoa morta espiritualmente é incapaz de responder a estímulos espirituais.” (2)
1. Um morto não pode vivificar a si mesmo. "E vos vivificou..." [Versículo 1].
Todo ser humano não regenerado está legalmente morto.
"16 E ordenou o Senhor Deus ao homem, dizendo: De toda árvore do jardim comerás livremente,
17 mas da árvore da ciência do bem e do mal, dela não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás." - Gênesis 2:16-17 (Almeida Revista e Corrigida).
Pena de morte foi o veredito pela desobediência do primeiro casal no Éden. "Porque o salário do pecado é a morte..." - Romanos 6:23 (Almeida Revista e Corrigida).
Adão não caiu morto fisicamente no momento em que pecou, porém, sua morte espiritual foi legalmente decretada no tribunal de Deus, tornando culpada toda a descendência adâmica.
"Pelo que, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, por isso que todos pecaram." - Romanos 5:12.
O dia do Juízo será a execução da sentença, visto que todo ser humano já nasce condenado ao inferno.
"18 Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus.
36 Quem crê no Filho tem a vida eterna; já quem rejeita o Filho não verá a vida, mas a ira de Deus permanece sobre ele"." - João 3:18, 36 (Almeida Revista e Corrigida).
O pecador está morto em delitos e pecados. "...estando vós mortos..." - Efésios 2:1 (Almeida Revista e Corrigida).
Um morto espiritual não tem sentimentos pelas coisas do alto e nenhum interesse em agradar a Deus.
"Portanto, os que estão na carne não podem agradar a Deus." - Romanos 8:8 (Almeida Revista e Corrigida).
O texto base deste sermão nos revela que o homem natural está morto em ofensas e pecados. O homem caído tem vida biológica, mas é um morto espiritual. É um morto ambulante.
“A condição do homem é desesperadora sem Deus. O diagnóstico que Paulo faz se refere ao homem caído em uma sociedade caída em todos os tempos e em todos os lugares. Esse é um retrato da condição humana universal.¹⁰¹ O pecado não é como uma dessas enfermidades que alguns homens contraem e outros não. É algo em que todo ser humano está envolvido e de que todo ser humano é culpado. O pecado não é uma simples erupção esporádica, mas o estado, a condição universal do homem.¹⁰² Paulo elenca quatro fatos dramáticos a respeito do homem antes de sua conversão:” (3)
O morto não tem nenhuma condição em mudar a sua posição de morto ou manter vida espiritual por si mesmo, a não ser exalar o odor fétido da sua decomposição pecaminosa.
Um morto não pode regenerar a si mesmo. Ele necessita da graça e operação do Espírito Santo para ser uma nova criatura e andar em novidade de vida.
"Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo." - 2 Coríntios 5:17.
"De sorte que fomos sepultados com ele pelo batismo na morte; para que, como Cristo ressuscitou dos mortos pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida." - Romanos 6:4.
2. O homem espiritualmente morto, atolado na areia movediça do pecado não consegue sair do lodaçal por si mesmo. "... estando vós mortos em ofensas e pecados." [Versículo 1].
A pessoa atolada na areia movediça não sai dali sozinha. Cada esforço ou agitação empregados apenas contribui para que ela afunde ainda mais. Em vez de prosperar em seu livramento, o seu esforço coopera para que piore ainda mais a situação. Se essa pessoa não receber ajuda para sair, fatalmente morrerá nessa situação.
De igual modo, única saída para uma pessoa atolada na lama movediça do pecado é a graça salvadora. "... do Senhor vem a salvação." - Jonas 2:9 (Almeida Revista e Corrigida).
Ela necessita ser convencida pelo Espírito Santo a parar de debater-se, reconhecendo o seu estado deplorável e clamar por socorro. "Miserável homem que eu sou! Quem me livrará do corpo desta morte?" - Romanos 7:24 (Almeida Revista e Corrigida).
3. O escravo não pode libertar a si mesmo. "... noutro tempo, andastes, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que, agora, opera nos filhos da desobediência." [Versículo 2].
Noutro tempo andávamos perdidos e escravizados pelos vícios em companhia dos filhos da desobediência. "... entre os quais todos nós também, antes, andávamos..." [Versículo 3].
"Porque bem sabemos que a lei é espiritual. Eu, porém, sou carnal, vendido à escravidão do pecado." - Romanos 7:14 (Nova Almeida Atualizada).
O pecado mantém o homem na escravidão, submisso à vontade do diabo. Na Nova Versão Internacional diz: "... fui vendido como escravo ao pecado." Eis um desabafo desesperador de alguém vendido como escravo ao pecado, pois sabemos que o diabo e o pecado são senhores cruéis.
"Vós tendes por pai ao diabo e quereis satisfazer os desejos de vosso pai; ele foi homicida desde o princípio e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele; quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira." - João 8:44 (Almeida Revista e Corrigida).
O homem não regenerado vive debaixo das chibatadas do diabo e seus principados.
O sistema do mundo, o diabo e a carne escravizam os impenitentes.
"2 em que, noutro tempo, andastes, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que, agora, opera nos filhos da desobediência;
3 entre os quais todos nós também, antes, andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como os outros também." - Efésios 2:2-3 (Almeida Revista e Corrigida).
O homem não convertido é filho da ira, completamente depravado, contentando-se apenas em agradar aos seus desejos carnais. "...antes, andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos..."
O escravo não tem o direito legal de decidir-se pela sua liberdade, pois está sujeito à vontade do seu senhor.
Imagine uma pessoa escrava acordando numa senzala:
- “Cansei dessa vida de escravo. A partir de hoje não serei mais escravo de ninguém.”
Ele poderia fazer isso? Lógico que não. Caso insistisse nessa ideia, com certeza seria seriamente disciplinado por rebeldia contra o seu senhor.
No tempo da escravidão tinham os escravos adquiridos por compra e também as crianças nascidas de uma mulher escrava.
Essas crianças já nasciam debaixo do jugo da servidão por serem descendentes de escravos. Mãe, filho e pai eram propriedade do seu senhor. Ele tinha direito legal de posse. Da mesma maneira os descendentes de Adão já nascem sob o jugo da escravidão do pecado.
Nenhum esforço da pessoa escravizada poderia mudar sua situação perante a lei, pois o seu senhor tinha documento de posse comprovando que ela era sua propriedade.
Toda a humanidade já nasce escrava sem a mínima possibilidade de libertar se por si só.
A vontade do homem não regenerado é escrava da depravação do próprio coração.
"Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá?" - Jeremias 17:9 (Almeida Revista e Atualizada).
Na Nova Tradução na Linguagem de Hoje diz: "Quem pode entender o coração humano? Não há nada que engane tanto como ele; está doente demais para ser curado."
Na Nova Versão Internacional diz: "O coração é mais enganoso que qualquer outra coisa e sua doença é incurável. Quem é capaz de compreendê-lo?"
Toda a pessoa que ainda não nasceu de novo é escrava do pecado. Nenhum empenho ou obra humana o livrará da condição de escravo.
"Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que todo aquele que comete pecado é servo do pecado." - João 8:34 (Almeida Revista e Corrigida).
A Palavra de Deus nos informa que só Jesus Cristo tem o poder de libertar o homem da escravidão do pecado.
O ser humano não tem em si mesmo nenhum poder para mudar sua posição de escravo. Só Jesus pode alforriar o cativo.
“Esse homem é chamado escravo do pecado (cf. Rm 6.16; 11.32; 2Pe 2.19). Ele é um escravo, porque foi dominado e escravizado por seu senhor, o pecado, e é incapaz de se libertar desse domínio. Ele está completamente acorrentado, como aquele prisioneiro que tem as algemas em torno de suas pernas, e a corrente presa na parede do calabouço, não podendo, de maneira alguma, romper com essa situação. Pelo contrário, cada pecado que ele comete aperta-o ainda mais, até que o esmaga completamente. Esse é o quadro que Jesus pinta de todos os pecadores como eles são por natureza. Os judeus se consideravam homens livres? Na verdade, são escravos sem nenhuma liberdade. Eles estão aprisionados em cadeias.” (4)
"35 Ora, o servo não fica para sempre em casa; o Filho fica para sempre.
36 Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente, sereis livres." - João 8:35-36 (Almeida Revista e Corrigida).
William Hendriksen comenta que o filho está em segurança na casa do pai, enquanto o escravo pode deixar a casa de uma hora para outra.
“Jesus apresenta seus inimigos como escravos em cadeias, sem qualquer liberdade verdadeira. Agora - mudando um pouco a figura -, ele indica um outro aspecto dessa condição de escravidão: Um escravo pode gozar dos privilégios da casa de seu senhor por um pouco de tempo, mas nunca para sempre. Ele pode ser dispensado ou vendido a qualquer momento. Os judeus, que se vangloriavam de ser descendentes de Abraão, fariam bem em se lembrar disso. A antiga dispensação, com seus privilégios para Israel, tinha terminado. Os verdadeiros filhos de Abraão continuarão em sua casa, e gozarão, permanentemente, seus privilégios, mas os escravos de Abraão (pense em Hagar e cf. Gl 4.21-31) terão de sair. Somente um filho goza de liberdade. Se, portanto, o Filho de Deus - ver sobre 1.14 - os libertar, verdadeiramente serão livres. A sentença condicional deixa a responsabilidade para eles, mas a ação (a de serem livres), com ele! A expressão “verdadeiramente serão livres” provavelmente se refere ao fato de que a liberdade, dada por Cristo, é a única liberdade verdadeira:” (5)
O diabo é um senhor cruel, está constantemente lançando suas iscas de prazeres e luxúrias para escravizar suas presas.
"Quanto ao ímpio, as suas iniquidades o prenderão, e, com as cordas do seu pecado, será detido." - Provérbios 5:22 (Almeida Revista e Corrigida).
Na Nova Versão Transformadora diz: "O perverso é cativo dos próprios pecados; são cordas que o apanham e o prendem."
Não podemos servir a dois senhores. Ou por graça nos submetemos ao senhorio de Cristo ou somos servos do pecado; contudo existe uma infinda diferença entre o jugo de Cristo e o jugo do pecado.
"Não sabeis vós que a quem vos apresentardes por servos para lhe obedecer, sois servos daquele a quem obedeceis, ou do pecado para a morte, ou da obediência para a justiça?" - Romanos 6:16 (Almeida Revista e Corrigida).
“[...] a autorrendição conduz à escravidão (6.16). A rendição desemboca em servidão. O homem é sempre escravo: do pecado ou de Deus. A servidão do pecado torna o homem cativo das paixões; a servidão a Deus o torna livre. E conhecida a expressão de Agostinho: “Quanto mais escravo de Cristo sou, tanto mais livre me sinto”. A escravidão de Deus é liberdade; a liberdade do pecado é escravidão. E impossível ser escravo de dois senhores ao mesmo tempo (Mt 6.24). Somos servos de Deus ou do pecado.” (6)
Termino advertindo que a depravação total não isenta o pecador da punição pelo pecado, pois ele é responsável por sua vontade e natureza. Todo ser humano é indesculpável pelo seu pecado. Deus não pode ser responsabilizado pelo pecado do ser humano, visto o homem peca porque ama o mundo e as obras das trevas, constantemente rejeitando o Evangelho da Graça.
Em Cristo!
Josnei Borges dos Santos
Referências bibliográficas:
(1) LOPES, Hernandes Dias. Efésios: Igreja, a noiva gloriosa de Cristo. 1. ed. 1. reimpressão. São Paulo: Hagnos. 2010. p. 50.
(2) LOPES, Hernandes Dias. Efésios: Igreja, a noiva gloriosa de Cristo. 1. ed. 1. reimpressão. São Paulo: Hagnos. 2010. p. 48 - 49.
(3) LOPES, Hernandes Dias. Efésios: Igreja, a noiva gloriosa de Cristo. 1. ed. 1. reimpressão. São Paulo: Hagnos. 2010. p. 48.
(4) HENDRIKSEN, William. Comentário do Novo Testamento - Exposição do Evangelho de João. 1. ed. São Paulo: Cultura Cristã. 2004. p. 391.
(5) HENDRIKSEN, William. Comentário do Novo Testamento - Exposição do Evangelho de João. 1. ed. São Paulo: Cultura Cristã. 2004. p. 391 - 392.
(6) LOPES, Hernandes Dias. Romanos: o evangelho segundo Paulo. 1. ed. 1. reimpressão. São Paulo: Hagnos. 2010. p. 251 - 252.